Debate entre Hillary e Trump deve abordar e-mails da democrata e nacionalismo do republicano

Debate entre Hillary e Trump deve abordar e-mails da democrata e nacionalismo do republicano

Veja os principais assuntos que podem ser explorados no evento desta noite pelos dois candidatos em mais uma etapa da corrida à Casa Branca

Redação Internacional

26 de setembro de 2016 | 15h17

Quase empatados nas pesquisas eleitorais, a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump se enfrentam nesta segunda-feira, 26, no primeiro debate da campanha à presidência dos EUA, que deverá ser visto por quase 100 milhões de americanos, a maior audiência desde 1980.

Essa será a oportunidade ideal para consertar alguns erros cometidos durante a campanha. Veja abaixo alguns fatos duvidosos que costumam ser mencionados pelos candidatos segundo o site Politico.

Candidatos à presidência dos EUA, Donald Trump e Hillary Clinton

Candidatos à presidência dos EUA, Donald Trump e Hillary Clinton

Trump: “Fui totalmente contra a guerra no Iraque”.

Verdade: Trump foi favorável ao conflito antes de ser contrário a ele.

O empresário não se importa em continuar insistindo que foi contra a ida dos EUA à guerra no Iraque em 2003. Mas suas repetidas afirmações não apagam a história. Em uma entrevista dada em setembro de 2002, quando questionado se o empresário concordava com a gestão de George W. Bush e sua tentativa de vender ao país a ideia da necessidade de ir à guerra, ele disse: “Sim, acho que sim”.

Hillary: “O que eu fiz (com os e-mails) foi autorizado pelo Departamento de Estado”.

Verdade: Os tais e-mails não foram “autorizados”.

A ex-secretária de Estado se desculpou pelo episódio e disse que cometeu um erro ao usar seu servidor de e-mail pessoal para tratar de assuntos relacionados ao seu trabalho na Casa Branca. Contudo, ela também esteve encrencada quando descreveu a autorização que teve para fazê-lo. “O que eu fiz foi autorizado pelo Departamento de Estado, mas não foi a melhor escolha”, afirmou a democrata em outubro – e repetiu a explicação em maio. Na verdade, o diretor-geral do Departamento de Estado explicou que não encontrou “nenhuma evidência” de que Hillary pediu ajuda ou que foi autorizada a usar seu e-mail pessoal. E se ela tivesse perguntado, não teria tido permissão em razão da legislação interna com relação ao armazenamento de registros federais e “riscos de segurança” associados a hackers em potencial.

Trump: “58% dos jovens afro-americanos estão desempregados”.

Verdade: Trump está desinformado quanto aos dados sobre a juventude negra dos EUA.

Um dos pontos que o magnata adora ressaltar em seus discursos é a pequena quantidade de jovens afro-americanos que estão empregados atualmente. Mas ele deveria se informar melhor sobre o assunto. De acordo com a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas do país, dados mais recentes mostram que a taxa de desemprego para afro-americanos com idades entre 16 e 24 anos está em 15,7%.

Hillary: “Sob a liderança de Obama, criamos 15 milhões de empregos no setor privado”.

Verdade: Os números de Obama referentes a empregos não são tão positivos.

Um dos argumentos preferidos de Hillary é apontar a quantidade de empregos no setor privado que foram criados desde o colapso econômico que atingiu os EUA na gestão Bush. Apesar do que a democrata tem dito, pesquisas recentes mostram que apenas 5 milhões de empregos foram criados no setor.

Trump: Hillary apoia “abrir as fronteiras” e “aumentar em 550%” o número de refugiados sírios.

Verdade: Trump está errado sobre os planos de Hillary com relação à imigração e refugiados.

Algumas das demonstrações de apoio mais fervorosas de Trump surgem quando ele menciona a ideia de construir um muro na fronteira entre EUA e México, e fazer os mexicanos pagarem pela obra. Contudo, o magnata parece incapaz de aceitar que há números sólidos sobre a imigração ilegal no país. “Eles podem ser 3 milhões. Podem ser 30 milhões”, disse o republicano em agosto. Mas o Departamento de Segurança Interna divulgou o número exato referente ao ano de 2012: 11,4 milhões de imigrantes. E se Trump quiser dados ainda mais recentes, pode ir ao Pew Research Center, que informou há alguns dias que o total foi de 11,1 milhões em 2014.

Hillary: Trump “não faz nada nos EUA a não ser levar negócios à falência”.

Verdade: Trump fez algumas coisas pelo país.

Muito tem sido falado por Hillary e pelo seu comitê de campanha sobre Trump com relação à promessa de criar novas oportunidades no país, quando as empresas dele mesmo estão indo por outro caminho. “Ele não faz nada nos EUA a não ser levar negócios à falência”, disse a democrata durante um comício na Filadélfia logo após o fim da convenção democrata. Uma semana depois, no Colorado, ela mudou o argumento: “Agora, quando Donald Trump é questionado sobre onde ele faz negócios, ele os faz em qualquer outro lugar, menos nos EUA”.

Guia para o debate:

Quando será?

26 de setembro às 21h locais (22h em Brasília).

Quanto tempo terá?

90 minutos (sem intervalos comerciais).

Quem será o moderador?

Lester Holt, apresentador do noticiário noturno da emissora NBC.

Como será realizado?

O debate será dividido em 6 segmentos de 15 minutos. Cada parte será iniciada por uma pergunta de Holt, para a qual cada candidato terá dois minutos para responder. Depois, poderão questionar um ao outro.

O que está em jogo para Hillary Clinton?

Essa é a chance da democrata virar a página após a queda na diferença entre ela e o rival quanto às intenções de voto. Ela deve apostar em seu conhecimento político e em sua experiência em debates anteriores para ajudá-la a expor as fraquezas de Trump.

O que está em jogo para Donald Trump?

Apesar de ter sido acusado de carecer de seriedade política e moderação em seus comentários, o republicano conta com a vantagem de ter baixas expectativas quanto à sua performance no debate.

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