Democrata já pensa em como curar as ‘feridas da campanha’

Democrata já pensa em como curar as ‘feridas da campanha’

Segundo porta-voz de Hillary, ela fará tudo para unir o país, já que precisará de amplo apoio em seu eventual governo

Redação Internacional

22 de outubro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
ENVIADA ESPECIAL / LAS VEGAS, EUA

Com a crescente probabilidade de sua vitória em novembro, Hillary Clinton começa a olhar para o desafio que terá à frente para superar as divisões e curar as feridas abertas em uma das mais negativas campanhas da história recente dos EUA, caso chegue à Casa Branca. Parte desse esforço começou no encerramento do debate presidencial de quarta-feira, quando a candidata disse que precisará do apoio de todos os americanos em seu eventual governo.

“Se for eleita, ela fará tudo o que puder para unir o país, e a maneira pela qual ela conduzirá a campanha nos últimos dias será importante para isso”, disse ao Estado o porta-voz de Hillary, Brian Fallon, depois do terceiro e último debate entre os candidatos à presidência dos EUA. Segundo ele, a democrata deverá adotar um tom positivo e uma visão “mais afirmativa” nas três semanas que restam antes do dia 8, quando os americanos irão às urnas.

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton (Foto: REUTERS/Mike Blake)

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton (Foto: REUTERS/Mike Blake)

Mas a retórica agressiva que marca a atual campanha dificultará a tarefa. Em seus comícios ao redor do país, Trump descreve Hillary como uma criminosa que deveria estar atrás das grades por ter decidido usar um servidor privado de e-mails durante sua gestão no Departamento de Estado.

Trump sustenta que essa escolha expôs informações sigilosas que poderiam comprometer a segurança dos EUA. O Congresso americano e o FBI investigaram as trocas e e-mails de Hillary em sua passagem pelo Departamento de Estado e não encontraram nenhum indício de atos criminosos ou de comprometimento de dados confidenciais. Ainda assim, o refrão que pede a prisão da democrata – “lock her up!” – é repetido pelos seguidores do bilionário em todos os eventos de sua campanha.

“O melhor que ela pode fazer é abrir os braços para os que não a apoiam e dizer o que fará por eles caso seja presidente”, afirmou Fallon. “Temos de dar às pessoas um motivo para votar e não apenas rejeitar Trump.”

O esforço de curar feridas também será dificultado por declarações da própria candidata, que no mês passado afirmou que metade “dos apoiadores de Trump” seria um “cesto de deploráveis”, formado por racistas, homofóbicos, sexistas e islamofóbicos. Hillary desculpou-se pela declaração e disse que se arrependia de ter usado a palavra “metade”, mas o tropeço se transformou em uma das armas da campanha do adversário.

Outro obstáculo ao desafio de pacificar o país é a alegação de Trump de que a eleição estaria viciada a favor da candidata democrata. O bilionário tem propagado a ideia de que a disputa é manipulada, em uma grande conspiração da m

ídia, dos institutos de pesquisa e de interesses econômicos. Questionado sobre o assunto no debate de quarta-feira, o bilionário se recusou a dizer se aceitará o resultado do pleito, colocando em dúvida uma longa tradição de transições pacíficas de poder no país.

Trump foi além da insinuação de que pode haver manipulação de votos e vinculou a suspeição à própria existência da candidatura de Hillary. “Digo que (o processo) é viciado, porque ela não poderia nunca (…) ela não poderia nunca disputar a presidência, com base no que ela fez com os e-mails e tantas outras coisas”, disse o candidato. Trump disse na quinta-feira que respeitará o resultado da eleição, desde que ele seja o vencedor.