Democratas reuniram mais artistas que republicanos

Democratas reuniram mais artistas que republicanos

Astros, que se identificam mais com as posições progressistas, foram atração na convenção da Filadélfia

Redação Internacional

28 de julho de 2016 | 19h20

Cláudia Trevisan 
ENVIADA ESPECIAL / FILADÉLFIA, EUA

Meryl Streep, Sigourney Weaver, Eva Longoria, Paul Simon, Alicia Keys, Lenny Kravitz e Elizabeth Banks. Essa pequena fração da constelação de celebridades que se apresentaram na convenção democrata para apoiar Hillary Clinton supera o total das que apareceram no encontro republicano para promover Donald Trump na semana passada.

O bilionário que se tornou uma celebridade com reality show O Aprendiz teve dificuldades em atrair rostos familiares ao grande público para o encontro que formalizou sua candidatura à presidência dos EUA. Os poucos que se dispuseram a aparecer em Cleveland eram famosos de segunda linha. Os destaques foram Scott Baio, que foi popular nos anos 80 com o seriado Happy Days, o modelo Antonio Sabato Jr., célebre por posar com cuecas Calvin Klein, e um casal que se conheceu no reality show da MTV The Real World (o representante masculino da dupla se tornou deputado republicano).

Artistas tendem a se identificar mais com as posições liberais e progressistas do Partido Democrata, mas o contraste deste ano com o déficit de celebridades da convenção republicana foi sem precedentes –o encontro anterior do partido de Trump teve a participação de Clinton Eastwood, que “conversou” com uma cadeira vazia que simbolizava o ausente presidente Barack Obama.

Além dos representantes de Hollywood, quase 50 atores da Broadway subiram ao palco da convenção na Filadélfia na quarta-feira para cantar a música What the World Needs Now Is Love (O que o mundo precisa é de amor). A canção foi apresentada logo depois de familiares de vítimas de tiroteios em massa terem subido ao palco para pedir medidas de controle da venda de armas no país e de Sigourney Weaver ter alertado para a ameaça do aquecimento global.

Assim que a atriz de Allien terminou de falar, os telões da arena da Filadélfia mostraram um filme sobre mudança climática dirigido por James Cameron, que tem em seu currículo Titanic e Avatar, duas das maiores bilheterias da história do cinema.

No dia anterior, a plateia e milhões de pessoas sentadas diante de suas TVs viram o vídeo Fight Song, no qual dezenas de celebridades se revezaram para cantar a música, que foi dedicada a Hillary. Entre ela, Jane Fonda, a veterana atriz vencedora de dois Oscars. Na noite de ontem, o discurso da candidata seria precedido do vídeo “Hillary” realizado por Shonda Rhimes e Betsy Beers, a dupla de produtoras responsáveis por algumas das mais populares séries de TV americanas, entre as quais Grey’s Anatomy e Scandal.

As celebridades que discursaram durante o evento defenderam causas tradicionais do Partido Democrata, pediram votos para sua candidata e atacaram Donald Trump. A atriz Eva Longoria, do seriado Desperate House Wives, fez uma das críticas mais contundentes à retórica do republicano contra imigrantes –o candidato defende a deportação de 11 milhões de pessoas que vivem sem documentos nos EUA e a construção de um muro na fronteira com o México.

“Eu sou de uma pequena cidade do sul do Texas e, se você conhece nossa história, o Texas era parte do México”, disse a atriz, que tem ancestrais mexicanos. “Eu sou a nona geração americana. Minha família nunca cruzou a fronteira. Foi a fronteira que passou por nós”, ressaltou. “Quando Donald Trump nos chama de criminosos e estupradores, ele está insultando famílias americanas. Meu pai não é um criminoso ou estuprador, na verdade ele é um veterano de guerra.”

Em entrevista ao Washington Post em abril, o candidato republicano disse que gostaria de colocar “algum showbiz” na convenção republicana. “Do contrário, as pessoas vão dormir.”

Trump também planejava uma “Noite dos Vencedores”, para a qual pretendia atrair esportistas campeões, mas a ideia foi descartada. Entre os poucos esportistas que se dispuseram a participar da convenção estavam o presidente do Ultimate Fighting Championship (UFC), Dana White, e a jogadora de golfe Natalie Gulbis.

A campanha de Trump chegou a divulgar que a estrela de futebol americano Tim Tebow falaria no evento, mas o esportista desmentiu a informação. O desejo do bilionário de ter a tenista Serene Williams e o jogador de futebol americano Tom Brady –marido de Gisele Bundchen- também não foi realizado.

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