Depois da Ford, Toyota vira alvo de Trump

Presidente eleito ameaça cobrar mais impostos de montadora se ela construir fábrica no México

Redação Internacional

06 Janeiro 2017 | 05h00

Se deu certo com a Ford, pode dar também com a Toyota. Pelo menos é o que parece acreditar o presidente eleito americano Donald Trump, depois que a fabricante americana anunciou que desistiu de uma fábrica de US$ 1,6 bilhão no México para investir nos EUA em resposta a um ultimato do republicano. Nesta quinta-feira, Trump fez ameaça semelhante à fabricante japonesa.

“A Toyota Motor disse que construirá uma nova fábrica na Baixa Califórnia, México, de carros Corolla para os EUA. De jeito nenhum! Construam a fábrica nos EUA ou paguem um grande imposto na fronteira”, escreveu Trump no Twitter. A Toyota não comentou a mensagem.

Indicados para primeiro escalão pelo presidente eleito somam fortunas pessoais num total de US$ 6 bilhões (AP Photo/Matt Rourke)

Trump promete trazer montadoras de volta para os EUA.  (Foto: AP/Matt Rourke)

O republicano tem encontrado nas fabricantes de veículos terreno fértil para reverberar sua promessa de “trazer os empregos” de volta para os EUA. Símbolo da produção de riquezas do país, a indústria automobilística americana e seu declínio com as últimas crises contribuíram com o desemprego relativamente alto que os EUA enfrentam há quase dez anos.

No vizinho México, com seus mais de 40 diferentes acordos de livre-comércio, elas encontraram uma saída para produzir mais barato, ao lado de concorrentes europeias e asiáticas. Outro facilitador foi o Tratado de Livre-Comércio das Américas (Nafta), do qual são signatários EUA, México e Canadá, com regras de exportação específicas para esse grupo – Trump quer renegociar o acordo.

A Ford afirma querer dar um “voto de confiança” no novo ambiente de negócios sob a presidência de Trump. Para alguns analistas, o fator principal seria uma estratégia de negócio de longo prazo da fabricante de mudar seu foco para os veículos elétricos – nos quais planeja investir US$ 4,5 bilhões até 2020, segundo artigo do Washington Post.

Engenheiros da Ford com a missão de desenvolver o modelo trabalham em Dearborn, a pouco mais de 30 quilômetros do local da nova fábrica. E os 700 empregos a serem criados no Estado de Michigan, destaca o artigo, diferentemente do papel manufatureiro das décadas passadas, demandarão alto conhecimento tecnológico e mais do que uma graduação universitária.

Trump também se gabou de ter mantido vagas da fabricante de ar-condicionado Carrier nos EUA.

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