Dez situações em que os indicados de Trump entraram em contradição com o presidente eleito

Dez situações em que os indicados de Trump entraram em contradição com o presidente eleito

Desde o início das sabatinas no Senado para aprovação dos nomes do novo gabinete, os escolhidos pelo presidente eleito Donald Trump discordaram dele em pelo menos dez ocasiões nos últimos dias

Redação Internacional

14 Janeiro 2017 | 05h00

Desde o início das sabatinas no Senado para aprovação dos nomes do novo gabinete, os escolhidos pelo presidente
eleito Donald Trump discordaram dele em pelo menos dez ocasiões nos últimos dias. As contradições com as promessas
de campanha feitas pelo republicano vão desde a mudança climática à Rússia. Trump, por sua vez, não parece se
incomodar. Em um tuíte na manhã desta sexta-feira, 13, disse que todos os seus indicados estavam fazendo um bom trabalho.
“Quero que eles sejam eles mesmos e expressem seus próprios pensamentos, não os meus!”, escreveu.

Attorney General-designate, Sen. Jeff Sessions, R-Ala., takes his seat on Capitol Hill in Washington, Tuesday, Jan. 10, 2017, after a break in his confirmation hearing before the Senate Judiciary Committee.  (AP Photo/Alex Brandon)

O senador Jeff Sessions. Foto: Alex Brandon/AP

1- Investigação contra Hillary Clinton

Trump: O tema é um pouco confuso para o republicano. Ele passou a campanha dizendo que escolheria um procurador
especial com a única finalidade de investigar as ações de Hillary, que decidiu utilizar um servidor privado de e-
mails quando era secretária de Estado. Depois, indicou que havia desistido dessa investigação. Em um tuíte
recente, mais uma vez, mudou de ideia e disse Hillary era “culpada como o inferno”.

Senador Jeff Sessions: O senador do Estado do Alabama, provável secretário de Justiça, demonstrou não estar de
acordo com a posição de Trump. Ao ser sabatinado, afirmou que não concorda que uma disputa política seja
transformada em uma disputa criminal. Sessions afirmou que ele, pessoalmente, se recusaria a conduzir tal
investigação.

 

Rex Tillerson, chief executive of Exxon Mobil and Donald TrumpÕs choice for secretary of state, testifies at his confirmation hearing on Capitol Hill in Washington, Jan. 11, 2017. Many of the president-electÕs cabinet nominees have disputed or contradicted TrumpÕs own positions. ÒI do not support a blanket-type rejection of any particular group of people,Ó Tillerson said of a ban on Muslims. (Doug Mills/The New York Times)

O executivo Rex Tillerson. Foto: Doug Mills/The New York Times

2- Tratados comerciais

Trump: Durante a campanha, Trump afirmou que os EUA desistirão da Parceria Transpacífico (TPP), que ainda não foi
ratificado, no primeiro dia de seu governo. Esse, segundo ele, seria o primeiro passo de seu plano de “sete
pontos” para “reconstruir a economia americana”, que implicaria na busca de tratados de livre comércio. O TPP é a
principal iniciativa de comércio internacional do presidente Barack Obama.

Rex Tillerson: Escolhido para ser o secretário de Estado, o ex-CEO da ExxonMobil contrariou Trump e disse que não
se opunha ao TPP. “Eu compartilho de alguns pontos de vista de Trump sobre se o acordo negociado serve a todos os
melhores interesses da América.”
3- Mudança climática

Trump: Para o presidente eleito, não existe uma interferência direta entre a ação do homem e as alterações
climáticas. Segundo ele, as mudanças climáticas seriam algo “criado pelos chineses e para eles” com o objetivo de
tornar a indústria americana não competitiva.

Tillerson: Mais uma vez, o executivo cotado para secretário de Estado entrou em contradição com o magnata. Na
mesma audiência em que foi sabatinado, afirmou que o risco das alterações climáticas existe sim e as consequências
delas são sérias o suficiente para que alguma ação seja tomada.
4- Mexicanos

Trump: Os comentários discriminatórios contra os mexicanos foram a primeira grande polêmica que Trump se envolveu
na campanha eleitoral. Em seu discurso inaugural, disse que o México não manda seus melhores cidadãos, mas sim
“estupradores” e “traficantes de drogas”. Depois, prometeu construir um muro na fronteira para conter a imigração
pago pelos próprios mexicanos.

Tillerson: O indicado se referiu à frase do presidente eleito para demonstrar que pensa exatamente o oposto.
Segundo Tillerson, ele jamais caracterizaria uma “população inteira com apenas um único termo”. O executivo
manifestou respeito pelo México, a que se referiu como “vizinho de longa data e amigo desse país”.

 

JL03 WASHINGTON (ESTADOS UNIDOS), 12/01/2017.- El exmarine y candidato a la secretaría de Defensa del gobierno del presidente electo Donald Trump, James Mattis (c), habla con el senador republicano de Arizona, John McCain (i), antes de testificar en su audiencia de confirmación ante el el Comité de Servicios Armados del Senado en el edificio Dirksen, en Washington, Estados Unidos, 12 de enero de 2017. Mattis comparece para demostrar que es la persona adecuada para hacerse cargo del Pentágono durante el Gobierno de Donald Trump. EFE/Jim Lo Scalzo

O senador John McCain conversa com o general John Mattis. Foto: Jim Lo Scalzo/EFE 

5- Rússia na geopolítica

Trump: O republicano tem assinalado repetidamente seu respeito pela Rússia como prioridade, apesar de a elite da
Inteligência americana apontar o envolvimento de Moscou nas eleições presidenciais, e minimizado a ação militar
russa em seus países vizinhos, como Ucrânia.

General reformado John Mattis: A escolha do magnata para secretário de Defesa surpreendeu ao se posicionar de
maneira contrária a do republicano durante a audiência ao afirmar que a Rússia “está tentando quebrar” a
Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ele afirmou ainda que o país, ao lado de China e terroristas,
representa uma ameaça mundial.
6- Rússia nas eleições

Trump: Em sua entrevista coletiva, na quarta-feira, Trump admitiu pela primeira vez que Rússia possa estar por
trás da ação de hackers contra os e-mails da equipe democrata. Mas jamais reconheceu quem ordenou a ação e com
qual objetivo. Até então, ele alegava que não havia envolvimento russo nas eleições.

Deputado Mike Pompeo: O congressista do Estado do Kansas, escolhido para chefiar a CIA, afirmou que “está muito
claro” o que aconteceu e estar convencido do envolvimento russo nos esforços para hackear informações democratas.
Sessions também contradisse Trump e afirmou acreditar não tem razão para duvidar do envolvimento russo e nenhuma
evidência apontaria o contrário.

Rep. Mike Pompeo (R-Kan.), President-elect Donald Trump's pick for CIA director, speaks during his confirmation hearing on Capitol Hill in Washington, Jan. 12, 2017. (Al Drago/The New York Times)

O deputado Mike Pompeo. Foto: Al Drago/The New York Times

7- Resposta dos EUA à Rússia

Trump: O republicano tem tentado minimizar a ação dos hackers e afirmado que se trata de um argumento dos
democratas que se recusam a aceitar a derrota nas eleições presidenciais, por isso, não vê sentido na medida de
punição com a aplicação de sanções por parte do presidente Obama.

Pompeo: Para o provável futuro chefe da CIA, o envolvimento de Moscou requer agora uma “incrível e robusta
resposta americana. Sob sua administração, Pompeo garantiu que a agência manterá “olhos abertos e acurados” sobre
as atividades russas.
8- Muro na fronteira

Trump: Outra de suas principais polêmicas e promessa de campanha foi a de prometer construir um muro na fronteira
com o México. A obra, segundo ele, seria paga pelos próprios mexicanos.

General reformado John Kelly: O militar foi designado para comandar o Departamento de Segurança Interna,
responsável pela imigração. Ao ser questionado sobre a proposta pelos senadores, Kelly não foi convicto quanto à
construção. “Uma barreira física em si não fará o trabalho.”


9- Tortura

Trump: Em sua campanha, Trump afirmou que “tortura funciona”. Segundo ele, jamais incentivaria seus oficiais a
desrespeitarem a lei, mas poderia impulsionar alguma medida para ampliar as possibilidades em que a tortura é
permitida, incluindo a técnica de afogamento.

Kelly e Mattis: Nesse aspecto, os dois indicados de Trump manifestaram, diante dos senadores, discordância com o
presidente eleito. Kelly afirmou que os EUA jamais deveriam chegar perto de ultrapassar a linha quando se trata de
técnicas de interrogatório. Mattis, quando questionado se hipoteticamente seguiria uma ordem de Trump para retomar
os afogamentos, respondeu que “absolutamente não”.

 

Elaine Chao appears before the Senate The Senate Commerce, Science and Transportation Committee on Capitol Hill in Washington, DC for her confirmation hearing to be US Secretary of Transportation, January 11, 2017.  / AFP PHOTO / CHRIS KLEPONIS

Elaine Chao fala ao Senado. Foto: Chris Kleponis/AFP

10- Gastos com infraestrutura

Trump: O republicano afirmou que pretende gastar US$ 1 trilhão na próxima década para reconstruir a infraestrutura
americana, como estradas, pontes e sistema de transportes. Ao mesmo tempo, seria mais um incentivo à economia, com
a criação de muitos empregos.

Elaine Chao: Escolhida para ser a secretária de Transporte no governo Trump, Elaine diminuiu as expectativas sobre
os planos de Trump. Ao falar aos senadores, Elaine, que já trabalhou na administração George W. Bush, disse que o
governo não têm os recursos para executar todas as necessidades de infraestrutura dentro do país.

Mais conteúdo sobre:

EUADonald Trump