Disputa nos Estados deixa opções limitadas para vitória de Trump

Redação Internacional

01 Agosto 2016 | 05h00

Confrontado com um desencorajador mapa eleitoral e uma significativa desvantagem financeira, Donald Trump está se preparando para baixar a bola quanto a uma dispendiosa campanha nacional e concentrar tempo e dinheiro em apenas três ou quatro Estados nos quais sua equipe acredita que ele possa abrir caminho para conquistar a presidência.

Mesmo com Trump tendo melhorado um pouco em pesquisas nacionais nas últimas semanas, caciques republicanos dizem que seu caminho rumo aos 270 votos no colégio eleitoral de que ele necessita para a eleição continua estreito – e pode ter ficado ainda mais precário.

Hoje parece muito difícil para ele reunir mesmo a maioria básica no colégio eleitoral sem derrotar Hillary Clinton nos três maiores Estados ainda indefinidos: Flórida, Ohio e Pensilvânia. O presidente Barack Obama venceu nos três Estados em 2008 e 2012; na Pensilvânia, nenhum republicano vence há quase três décadas.

Com uma mensagem divisionista que afastou muitas mulheres e hispânicos, Trump parece ter empurrado vários Estados indefinidos para longe de seu alcance. Segundo estrategistas dos dois lados da corrida presidencial, as pesquisas indicam que Hillary tem uma sólida vantagem no Colorado e na Virgínia. Esses dois Estados votaram duas vezes por George W. Bush, que cortejava assiduamente eleitores hispânicos e brancos moderados.

Para complicar ainda mais as coisas para os republicanos, aliados de Trump estão preocupados com a Carolina do Norte, um Estado com inclinação republicana que tem grandes comunidades de eleitores negros e brancos de educação superior – duas faixas do eleitorado nas quais Trump é fortemente impopular.

Apostas. Embora o candidato republicano não esteja a ponto de se render totalmente em nenhum dos grandes campos de batalha, seus assessores estão cada vez mais convencidos de que sua rota mais viável para a presidência – talvez seu único cenário realista de vitória – envolve a captura dos três maiores prêmios em disputa no mapa eleitoral, além de manter a Carolina do Norte no lado republicano.

Trump e seu parceiro de chapa, o governador de Indiana, Mike Pence, devem intensificar a campanha nesses quatro Estados, com Trump disparando seus slogans rombudos na mídia e Pence empenhado em consolidar o apoio de brancos conservadores e de centro-direita.

Assessores do republicano dizem que não há planos imediatos de equiparação com os gastos de Hillary em propaganda na televisão. Em vez disso, a intenção é lançar Trump como um aríete contra um pequeno número de alvos, mantendo sua mensagem sobre comércio, terrorismo e imigração.

O primeiro “supercomitê de ação política” (PAC, na sigla em inglês) a apoiar Trump, Rebuilding America Now, está adotando abordagem idêntica: reservou tempo de TV apenas em Ohio, Flórida e Pensilvânia. Já o principal grupo de fora que apoia Hillary, Priorities USA Action, vem usando a televisão nesses três Estados e em mais meia dúzia./ THE NEW YORK TIMES