Doações para fundação põem Hillary na defensiva

Doações para fundação põem Hillary na defensiva

Levantamento da ‘Associated Press’ indica que metade dos que fizeram contribuições à entidade pediu acesso à então secretária de Estado

Redação Internacional

24 Agosto 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

A candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, enfrenta questionamentos sobre a influência da Fundação Clinton no Departamento de Estado durante os quatro anos em que ela comandou a diplomacia americana. Levantamento da Associated Press mostra que metade das pessoas do setor privado recebidas pela ex-secretária fizeram doações diretas ou indiretas à entidade filantrópica da família.

Além disso, e-mails divulgados na segunda-feira revelaram que Doug Band, executivo da Fundação Clinton, apresentou uma série de pedidos de contribuintes da instituição à assessora de Hillary, Huma Abedin, no período em que a candidata estava no Departamento de Estado. Grande parte deles, solicitações de encontros com a secretária ou integrantes do corpo diplomático dos EUA.

Newly released emails show how some longtime friends and donors to the Clinton Foundation sought access to Hillary Clinton and her inner circle during her time as secretary of state. MUST CREDIT: Photo by Melina Mara, The Washington Post

Hillary Clinton, candidata democrata. Foto: Melina Mara/The Washington Post

A relação entre a Fundação Clinton e a gestão de Hillary deu munição ao candidato republicano, Donald Trump, que defendeu a nomeação de um procurador especial para investigar a questão. “Os Clintons transformaram o Departamento de Estado no mesmo tipo de operação pague-para-jogar que funcionava no governo de Arkansas: pague à Fundação Clinton enormes somas de dinheiro e dê grandes comissões por discursos de Bill Clinton que você joga com o Departamento de Estado”, afirmou o republicano, referindo-se ao Estado que foi governado por Clinton.

Na segunda-feira, Trump havia afirmado que a instituição filantrópica é o “mais corrupto empreendimento da histórica política” dos EUA e defendeu seu fechamento. No mesmo dia, Clinton disse que a entidade deixará de receber doações do exterior caso sua mulher seja eleita presidente. “Se Hillary for eleita presidente, o trabalho, o financiamento e a atuação global da fundação e minha atuação nela apresentarão questões que terão de ser resolvidas”, afirmou o ex-presidente, ressaltando o potencial conflito de interesses entre a presença de sua mulher na Casa Branca e a instituição.

Governos estrangeiros estão entre os principais doadores da entidade, criada depois que Clinton deixou a presidência dos EUA. Republicanos sustentam que o possível conflito de interesses apontado por Clinton já estava presente quando Hillary assumiu o Departamento de Estado, em 2009.

Até agora, não há nenhum indício de que decisões da ex-secretária tenham sido influenciadas por contribuições à fundação. Mas os e-mails e a análise do calendário de encontros de Hillary feita pela Associated Press indicam que os doadores tinham acesso ao Departamento durante a gestão dela.

Uma das mensagens mostra que Band, executivo da Fundação Clinton, pediu ajuda de Abedin para obter um encontro entre Hillary e o príncipe Salman, do Bahrein. A assessora da então secretária respondeu que a solicitação já tinha sido feita pelos canais regulares do Departamento de Estado e dependia da disposição de Hillary. Dois dias depois, Abedin enviou um e-mail a Band confirmando o encontro, ressaltando que a resposta também havia sido encaminhada à assessoria do príncipe pelos “canais regulares”.

A atuação da Fundação Clinton e a manutenção de um servidor privado de internet durante a gestão no Departamento de Estado são as principais debilidades da candidata democrata. Praticamente dois terços dos eleitores americanos dizem não confiar em Hillary.