Donald Trump e as teorias conspiratórias que o rondam

Histórias vão desde a ficção-política mais plausível até autênticos casos de paranoia eleitoral, com defensores que enxergam em cada ação do magnata um novo elemento para explicá-las

Redação Internacional

12 Agosto 2016 | 11h40

WASHINGTON – A candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, uma das maiores surpresas do mundo político americano nos últimos tempos, abriu espaço para várias teorias da conspiração, algo que o próprio candidato aprecia muito. Elas vão desde a ficção-política mais plausível até autênticos casos de paranoia eleitoral, com defensores que enxergam em cada ação do magnata um novo elemento para explicá-las.

A principal teoria conspiratória, que circula na internet desde quando o milionário anunciou sua pré-candidatura em junho de 2015, é a de que Trump seja, na realidade, um “submarino” de sua rival democrata, Hillary Clinton, para dificultar as possibilidades eleitorais do Partido Republicano e dividi-lo.

Candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump

Candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump (Foto: REUTERS/Eric Thayer)

Esta teoria foi alimentada principalmente pela relação que a ex-secretária de Estado e o ex-presidente Bill Clinton mantinham desde 2015 com o magnata nova-iorquino, participando inclusive do casamento dele com Melania, sua mulher atual, em 2005. Além disso, Trump nunca militou pelo Partido Republicano, foi um velho e generoso doador dos democratas e dos Clinton.

O defensor dessa história é Jeb Bush, um dos principais adversários de Trump pela candidatura republicana à Casa Branca e que tinha partido como favorito, herdeiro da política de sua família, por ser filho e irmão de ex-presidentes.

“Talvez Donald Trump tenha negociado um acordo com sua amiguinha Hillary Clinton e, se seguir por este caminho, vai levá-la à Casa Branca”, escreveu Jeb Bush no Twitter em dezembro de 2015, quando o magnata já despontava nas pesquisas após os primeiros debates, mas antes de começar o afundamento de seus rivais republicanos nas primárias.

É fato que o empresário soube reunir seus apoios financeiros, tanto de democratas quanto de republicanos, uma prática comum entre os que querem ganhar favores políticos nos Estados Unidos. Mas em seu caso, houve uma inclinação maior ao Partido Democrata, pelo menos até 2012, quando começou a focar suas contribuições nos republicanos.

Outra teoria sustenta que Trump, na realidade, não tem intenção de se transformar em presidente e entrou na corrida eleitoral para aumentar a notoriedade que conseguiu como estrela do programa de televisão “O Aprendiz”, em uma manobra de relações públicas. São muitos os que acreditam nisso, como o professor e cientista político Peter Dreier. Ele acredita que essa história explica as constantes gafes e recorrentes polêmicas que o magnata provoca.

Trump “tem medo” da ideia de ganhar a candidatura presidencial e “dorme todos os dias excitado com a atenção midiática que conseguirá no dia seguinte e preocupado com a chance de realmente vencer, inseguro sobre como sair do aperto em que se encontra”, escreveu Dreier para o jornal The Huffington Post em outubro de 2015.

Outra teoria que mistura conspiração, ficção-política e paranoia internacional é a que aponta que Trump pode ser um peão do Kremlin e trabalhar para o presidente russo, Vladimir Putin. Apesar de polêmica, as reiteradas trocas de afagos entre os dois e a estranha fascinação que o candidato americano tem pelo ex-coronel da KGB dão a essa história certa credibilidade.

“No negócio da inteligência, diríamos que o senhor Putin recrutou o senhor Trump como um agente inconsciente da Federação Russa”, disse na sexta-feira o ex-chefe da CIA Michael Morell.

Às vésperas da convenção do partido, o Comitê Nacional Democrata foi alvo de um ciberataque que culminou na divulgação de 20 mil e-mails comprometedores por parte do WikiLeaks, algo pelo qual Hillary culpou a Rússia.

Veja abaixo: Trump: “Obama é fundador do Estado Islâmico”

Segundo os defensores dessa teoria, Trump, que tem investidores russos em seus negócios, encorajou dias depois o governo em Moscou a obter mais mensagens de seus rivais para prejudicá-los.

Porém, no que se refere à conspiração, o magnata parece ser um campeão, especialmente em teorias relacionadas ao presidente Barack Obama, com a defesa de que na realidade ele nasceu no Quênia e por isso deveria ser impedido de se eleger.

Trump também garante que o verdadeiro nome de Barack Obama é Barry Soweto, que na realidade ele é muçulmano, que seu histórico acadêmico foi falsificado e que, por culpa dele, foi alvo de uma perseguição das autoridades fiscais. Agora, sua nova teoria – já qualificada por Obama como “ridícula” -, é de que as eleições poderiam ser “fraudadas”. / EFE