E o coração da democrata Nova York parou

E o coração da democrata Nova York parou

‘Big Apple’ em choque - Eleitores de Hillary eram maioria absoluta em Times Square

Redação Internacional

09 de novembro de 2016 | 02h58

Lúcia Guimarães
Correspondente / Nova York

O silêncio da multidão em Times Square dava uma medida do choque dos nova-iorquinos que votaram massa na candidata democrata Hillary Clinton. Telões das redes de TV atualizavam a apuração das urnas, recebida com apatia. Os únicos gritos de celebração vieram quando o telão anunciou a vitória já prevista de Hillary na Califórnia, um Estado rico em delegados.

Nas eleições vitoriosas de Barack Obama em 2008 e 2012, Times Square estava mais cheia, mais festiva. Os eleitores de Donald Trump misturados à multidão não faziam alarde. Frank, de Kansas City, nem quis dar o sobrenome, já havia votado “num dos dois principais candidatos” que não identificou. Ele concluiu: eu não teria ficado feliz com qualquer resultado.

People gather around Times Square to watch televised results of the US presidential election on November 8, 2016 in New York. Millions of Americans voted November 8th for their new leader in a historic election that will either elevate Democrat Hillary Clinton as their first woman president or hand power to maverick populist Donald Trump. / AFP PHOTO / EDUARDO MUNOZ ALVAREZ

Incrédulos, americanos e turistas assistem apuração na Times Square. Foto: Eduardo Munoz Alvarez / AFP

Havia turistas do mundo inteiro que, pelas expressões tensas, pareceriam igualmente surpresos com o desempenho da democrata. Um casal bebia numa esquina e contava que votou em Trump. Estavam felizes com o desempenho excepcional do republicano que as pesquisas não previram? Kevin Crossman, da Califórnia, disse que um multimilionário como Trump só poderia fazer bem à economia americana.

Ao seu lado, Rachelle Branson estava alterada. “Qualquer coisa menos Hillary! Aquela assassina.” Pergunto quem eram as vítimas e ela responde: “Crianças, desde a década de 1960, vá se informar”. Assim termina a era Obama. A praça que festejou assistindo no telão as comemorações na Chicago natal do primeiro presidente negro dos EUA, emudeceu.

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