Em convenção, Hillary cita ‘forças poderosas’ que tentam dividir os EUA

Em convenção, Hillary cita ‘forças poderosas’ que tentam dividir os EUA

Em pronunciamento no qual aceitou oficialmente a candidatura presidencial democrata, ex-primeira-dama mencionou desafios de segurança – com referências a atentados de Nice, Cabul e em território americano – e medidas para manter o país fortalecido

Redação Internacional

28 de julho de 2016 | 21h27

Cláudia Trevisan 
Enviada especial / Filadélfia, EUA

Hillary Clinton pediu nesta quinta-feira, 28, que os eleitores americanos rejeitem as “forças poderosas” que ameaçam dividir os EUA, representadas pela candidatura de seu adversário, o republicano Donald Trump. “A América está mais uma vez em um momento de definição”, afirmou no discurso com o qual aceitou a nomeação democrata para ser a primeira mulher a disputar a presidência do país por um grande partido.

Como Barack Obama na noite anterior, Hillary rejeitou a visão apocalíptica de Trump sobre o futuro do país e centrou seu discurso na defesa da unidade e do otimismo. “O destino da América somos nós que escolhemos. Então, vamos ser mais fortes juntos, olhando o futuro com coragem e confiança, construindo um amanhã melhor para nossas crianças e o nosso país amado”, disse no fim de seu discurso de 30 minutos. “Quando nós fizermos isso, a América será mais grande do que nunca.”

No mais importante discurso de sua carreira política, Hillary retratou seu adversário como despreparado, desprovido de propostas concretas para solução dos problemas do país e inepto para comandar as Forças Armadas do país. Mas, acima de tudo, o descreveu como uma ameaça à democracia e aos valores do país.

“Os americanos não dizem ‘só eu posso consertar isso’. Nós dizemos ‘nós vamos consertar isso juntos”, afirmou. “Lembrem que nossos fundadores lutaram uma revolução e escreram uma Constituição para que a América nunca mais fosse uma nação na qual uma pessoa tem todo o poder.” Segundo ela, há uma coisa que Trump não entende: “A América é grande porque a América é boa”.

A candidata entrou na arena às 22h25 (23h25, horário de Brasília) e foi recebida com acenos de milhares de bandeiras americanas que haviam sido distribuídas pelos organizadores do evento.

No início do pronunciamento, a candidata agradeceu seu adversário nas primárias, Bernie Sanders, e falou diretamente a seus seguidores, que protestaram contra sua candidata nos primeiros dois dias da convenção aberta na Filadélfia na segunda-feira. “Sua causa é a nossa causa.” Enquanto ela falava, gritos isolados de protesto podiam ser ouvidos na plateia, abafados pelos gritos de “Hillary, Hillary”.

A candidata se referiu ao caráter histórico de sua nomeação, a primeira de uma mulher feita por um grande partido americano. “Quando não há nenhum teto, o céu é o limite”, afirmou. “Vamos continuar, até que cada uma das 161 milhões de mulheres e garotas ao redor da América tenha a oportunidade que merece.”

Com a multiplicação de ataques terroristas dentro e fora dos Estados Unidos, ela se apresentou como a líder capaz de comandar as Forças Armadas do país e combater a ameaça do Estado Islâmico. Segundo ela, Trump não tem equilíbrio para ser o comandante-em-chefe do maior arsenal de defesa do mundo. “Donald Trump não consegue lidar nem mesmo com a confusão de uma campanha eleitoral. Ele perde a calma diante da menor provocação. Imaginem ele no Salão Oval enfrentando uma crise de verdade”, afirmou. “A força depende de julgamento inteligente, calma determinação e aplicação precisa e estratégica do poder. Esse é o tipo de comandante-em-chefe que eu prometo ser.”

Hillary também criticou o rival pela ausência propostas concretas. “Vocês devem ter notado que eu gosto de falar das minhas”, disse a candidata, célebre pelos detalhes com que apresenta suas posições. Em seguida, prometeu lançar um programa de investimentos em infra-estrutura para criar o maior número de empregos nos EUA desde a Segunda Guerra Mundial. Hillary também defendeu a expansão de benefícios sociais e disse que os programas serão pagos pelo aumento de impostos dos mais ricos, de Wall Street e das grandes corporações.

A candidata foi apresenta aos espectadores da convenção por sua filha única de 36 anos, Chelsea, mãe de seus dois netos: Charlotte e Aidan. Em discurso antes da entrada de Hillary, Chelsea se lembrou da infância e da adolescência, em uma tentativa de humanizar uma candidata vista muitas vezes como controladora e pouco espontânea. Mas Chelsea também se referiu à mãe como uma ativista, que passou sua vida defendendo causas que vão do direito de crianças ao combate da mudança climática. “Ela nunca esquece pelo que está lutando”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.