Pressionado, Trump tenta se descolar do apoio de grupos da extrema direita

Pressionado, Trump tenta se descolar do apoio de grupos da extrema direita

Declarações foram dadas em meio a um escândalo inciado após a divulgação de um vídeo de uma recente reunião do movimento 'alt-right' no qual os participantes festejam o resultado da eleição presidencial com saudações nazistas; veja o vídeo

Redação Internacional

22 de novembro de 2016 | 18h22

Cláudia Trevisan 
Correspondente / Washington 

Pressionado por jornalistas do New York Times, o presidente eleito Donald Trump disse nesta terça-feira, 22, que “repudia e condena” os defensores da supremacia branca que celebraram sua eleição no sábado com a saudação nazista e o grito “heil Trump”, o mesmo usado em relação a Adolf Hitler na Alemanha dos anos 1930 e 40.

Mas Trump fez uma contundente defesa de seu futuro conselheiro e estrategista na Casa Branca, Stephen Bannon, identificado com o movimento alt-right (direita alternativa), denominação que abrange grupos extremistas de direita. “Se eu achasse que ele era um racista ou um alt-right ou qualquer dessas coisas, os termos que poderíamos usar, não teria nem pensado em contratá-lo”, disse o presidente eleito ao jornal.

President-elect Donald Trump during a meeting with Arthur Sulzberger Jr., right, publisher of the New York Times, along with reporters, editors and columnists from the paper, at the Times building in New York, Nov. 22, 2016. (Hiroko Masuike/The New York Times)

Foto: Hiroko Masuike/The New York Times

Antes de ingressar na campanha de Trump, em meados do ano, Bannon dirigia o site Breitbart, que ele próprio definiu como uma plataforma para a alt-right americana. Além da feroz crítica ao establishment político, o Breitbart se celebrizou por estigmatizar muçulmanos, usar linguagem sexista ao tratar de mulheres e publicar manchetes com tom racista.

Na semana passada, Bannon foi escolhido por Trump para ser um de seus principais assessores, com o mesmo status do chefe de gabinete, Reince Priebus, representante da ala tradicional do Partido Republicano.

Radicalismo. A eleição de Trump foi festejada por defensores da supremacia branca e levou ao aumento dos casos de ataques e intimidações contra minorias. O Southern Poverty Law Center, que monitora a ação de grupos de ódio, registrou 701 episódios do tipo desde a vitória do republicano no dia 8.

A maioria deles, 206, foi direcionada a imigrantes. Os negros foram o segundo principal alvo, com 151 ataques, seguidos da comunidade LGBT (80), muçulmanos (51) e mulheres (36). Também houve 27 ataques contra alvos identificados com o presidente eleito e 60 casos de pichação de suásticas.

Em evento realizado em Washington no sábado, cerca de 250 defensores da supremacia branca celebraram a vitória de Trump, visto pelo grupo como representante de seus valores. “Heil Trump, heil nosso povo, heil a vitória!”, disse Richard Spencer, presidente do National Policy Institute. “A América era até a geração passada um país branco desenhado para nós e nossa posteridade”, declarou Spencer, criador da expressão alt-right.

Ávido usuário do Twitter, Trump não usou sua conta para condenar ou repudiar as manifestações de apoio que recebeu de grupos extremistas. O principal alvo de seus ataques desde sua eleição foi a imprensa, em especial o New York Times. O presidente eleito também atacou o elenco do musical da Broadway “Hamilton” e o humorístico Saturday Night Live.

Imprensa. Em seus posts, Trump manteve a tradição de sua campanha e se referiu ao jornal como o “falido New York Times”. No encontro de ontem, ele se queixou da cobertura realizada pela publicação durante a disputa pela presidência. No dia anterior, Trump se reuniu com executivos e apresentadores das cinco maiores redes de TV do país e também os atacou pelo que considerou um tratamento tendencioso.

Segundo relato da revista New Yorker, Trump adotou um tom agressivo e passou 20 minutos criticando as emissoras, em especial a CNN e a NBC, a quem acusou de mentir. Durante a campanha, o presidente eleito costumava se referir aos jornalistas como “desonestos” e o “pior tipo de pessoas”. Com frequência, ele apontava para o local onde a imprensa se posicionava em seus comícios, o que provocava vaias e ataques verbais de seus seguidores.

Pelo menos uma vez, Trump se referiu nominalmente a uma jornalista que cobria seus comícios e a criticou por uma entrevista realizada com ele. No fim da disputa, alguns dos repórteres que acompanhavam o candidato passaram a temer serem alvos de agressões físicas de seus simpatizantes.

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