Em lados opostos, filhos de Martin Luther King entram em polêmica de Trump

Em lados opostos, filhos de Martin Luther King entram em polêmica de Trump

No aniversário do líder morto Martin Luther King, dois de seus filhos assumiram lados opostos em uma polêmica envolvendo questões raciais e o presidente eleito

Redação Internacional

16 Janeiro 2017 | 20h33

No aniversário do líder morto Martin Luther King, dois de seus filhos assumiram lados opostos em uma polêmica envolvendo questões raciais e o presidente eleito Donald Trump.

Em Nova York, o republicano recebeu o filho mais velho, Martin Luther King III, na Trump Tower. King III disse ter conversado com Trump sobre “mecanismos para incentivar a participação eleitoral no país”.

US President-elect Donald Trump shakes hands with Martin Luther King III after meeting at Trump Tower in New York City on January 16, 2017. The eldest son of American civil rights icon Martin Luther King Jr. met with US President-elect on the national holiday observed in remembrance of his late father. / AFP PHOTO / DOMINICK REUTER

Trump posa para fotógrafos com King III na Trump Tower. Foto: Dominick Reuter/AFP

Em Atlanta, Bernice King se posicionou ao lado do congressista negro e ativista John Lewis, em meio à controvérsia surgida no fim de semana com o presidente eleito.

Lewis, de 76 anos, é contemporâneo de King e foi vítima de espancamentos além de ser preso na luta pela igualdade racial na década de 60. Ele disse em uma entrevista transmitida pela TV que vê a eleição de Trump como ilegítima em razão da interferência russa, o que gerou uma reação dura do presidente eleito.

Bernice King, daughter of the late Rev. Martin Luther King Jr., speaks during the Rev. Martin Luther King Jr. holiday commemorative service at Ebenezer Baptist Church where King preached, Monday, Jan. 16, 2017, in Atlanta. (AP Photo/Branden Camp)

Bernice King fala na Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta. (AP Photo/Branden Camp)

Bernice, filha mais nova de King, que faria 88 anos no domingo, teve seu discurso interrompido em vários momentos por aplausos na Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta, localizada no distrito pelo qual Lewis foi eleito e onde King já pregou.

“Muitos de vocês aqui são orgulhosos moradores do quinto distrito congressual e somos orgulhosos do progresso que fizemos aqui e nesta cidade”, disse ela. Em sua crítica a Lewis, Trump disse que ele deveria ir “cuidar” dos problemas de sua região de eleitores.

“Ele deveria gastar mais tempo em arrumar e ajudar seu distrito, que está em péssimo estado e caindo aos pedaços (sem mencionar que está infestado pelo crime) em vez de fazer falsas queixas sobre os resultados eleitorais. É só blá blá blá – sem ação, sem resultado. Triste!”, disse Trump no sábado pelo Twitter.

“Acredito que, no calor das emoções, dizemos muitas coisas. O objetivo é unir os americanos. Somos um grande país”, disse King III, filho do mais importante representante na luta dos direitos civis nos EUA, lembrando que esse era um dos objetivos de seu pai e de sua mãe, Coretta Scott.

As declarações foram dadas no hall da Trump Tower. Trump acompanhou o visitante na saída do edifício, cumprimentou o convidado em frente às câmeras, mas não falou com os jornalistas que acompanham a transição de poder nos EUA.

A missa na Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta, acontece todos os anos no Dia de Martin Luther King Jr., um feriado federal que homenageia o homem que lutou pela justiça racial até ser assassinado em 1968 aos 39 anos.

Neste ano, o feriado ocorreu dias antes de o presidente dos EUA, Barack Obama, o primeiro negro a ocupar o posto, encerrar seu segundo mandato na Casa Branca. Trump toma posse na sexta-feira.

O republicano, por sua vez, elogiou King pelo Twitter nesta segunda.”Celebrem o Dia de Martin Luther King e todas as coisas maravilhosas que ele defendeu. Honrem-no por ser o grande homem que ele foi”, tuitou.

O espólio do líder é controlado pelos três filhos sobreviventes de King, Bernice e seus dois irmãos, Dexter e King III. Os embates legais entre os herdeiros de King já duram anos. King foi assassinado em 1968 em Memphis, no Estado do Tennessee, por um supremacista branco. / REUTERS e EFE