Trump se nega a dizer se reconhecerá resultado de eleição

Trump se nega a dizer se reconhecerá resultado de eleição

Candidatos à Casa Branca divergem e trocam acusações sobre armas, aborto, reforma fiscal e fraude eleitoral; moderador cita palestra no Brasil para questionar posição de democrata, que lidera pesquisas, sobre acordos de livre-comércio e imigração

Redação Internacional

20 de outubro de 2016 | 00h36

Cláudia Trevisan
Enviada Especial / Las Vegas, EUA

No terceiro e último debate entre os candidatos presidenciais dos EUA, o republicano Donald Trump se recusou a dizer se reconhecerá o resultado da eleição. “Eu direi no momento. Vou mantê-lo em suspense”, disse o bilionário ao moderador Chris Wallace. Nos dias que antecederam o evento, o candidato propagou a ideia de que o processo eleitoral do país é fraudulento e manipulado pela mídia.

“Isso é horripilante”, disse a democrata Hillary Clinton. “Nós existimos há 240 anos, temos eleições livres e justas e respeitamos os seus resultados. Ele está denegrindo a nossa democracia”, disse a candidata. Trump chegou ao embate em desvantagem nas pesquisas, que indicam uma ampla probabilidade de vitória de Hillary no dia 8 de novembro.

lasvegasdebate
As frequentes insinuações de irregularidades da eleição são vistas com alarme por integrantes de ambos os partidos, que veem o risco de a retórica minar a legitimidade da democracia americana. Também há o temor de que o discurso de Trump inflame sua base de apoio e leve seus seguidores a intimidar eleitores que forem às urnas dentro de três semanas. Vários representantes do Partido Republicano vieram a públicos nos últimos dias para dizer que não há nenhum indício de irregularidade nas eleições americanas.

O debate começou em um tom moderado, mas logo esquentou, com os candidatos se interrompendo com frequência e falando além do período definido pelo moderador. Hillary e Trump trocaram ofensas e protagonizaram um embate mais equilibrado que os anteriores, vencidos pela democrata. Mas o bilionário não teve uma atuação forte o suficiente para mudar a narrativa da campanha, o que beneficia a democrata.

A palestra que Hillary fez a executivos do Banco Itaú em 2013 foi usada pelo moderador para questionar a posição da candidata em relação à integração comercial e à imigração. “Meu sonho é um hemisfério com um mercado comum, com comércio aberto e fronteiras abertas”, disse Hillary na época, de acordo com e-mail vazado pelo Wikileaks.

Acordos comerciais se transformaram em um dos mais controvertidos tópicos da campanha eleitoral dos EUA, com eleitores condenando tratados como a Parceira Transpacífica (TPP). No debate, a candidata disse que sua frase foi retirada de contexto e que fazia parte de uma discussão mais ampla sobre integração energética.

Com ampla desvantagem no eleitorado feminino, Trump deve ter piorado sua posição ainda mais com a promessa de que, caso seja eleito, indicará juízes para a Suprema Corte que anulem a decisão que legalizou o aborto nos EUA nos anos 70. Hillary fez uma defesa contundente do direito das mulheres de interromper uma gravidez indesejada e se declarou favorável a regulações que limitem o porte de armas no país.

Wallace questionou Trump sobre as declarações de nove mulheres que disseram ter sido vítimas de investidas sexuais impróprias do candidato. Todas vieram a público depois da divulgação de um vídeo no qual ele se gaba de poder fazer o que quiser com mulheres por ser famoso. O candidato disse que todas estavam mentindo. “Eu nem pedi desculpas para minha mulher porque não fiz nada disso.”

O moderador perguntou se Trump condenava a aparente interferência da Rússia no processo eleitoral americano – o governo dos EUA sustenta que Moscou está por trás dos ataques de hackers contra o Partido Democrata. A campanha de Hillary afirma que a Rússia tem interesse em eleger Trump, em razão de sua posição menos enfática na defesa da Europa de eventuais agressões externas. “Eu não conheço Putin”, afirmou o bilionário.

Com base em pesquisas eleitorais recentes, o jornal The New York Times estimava ontem que Hillary tem 92% de chances de vencer a disputa e se tornar a primeira mulher a ocupar a presidência dos EUA.

 

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