Entrevista: ‘Aqueles que votariam em Trump não disseram isso nas pesquisas’

Entrevista: ‘Aqueles que votariam em Trump não disseram isso nas pesquisas’

Para Vera Chaia, professora de política da PUC-SP, eleitores que votariam em Trump não necessariamente falaram isso nas pesquisas

Redação Internacional

10 de novembro de 2016 | 05h00

Marco Antonio Carvalho

Para Vera Chaia, professora de política da PUC-SP, eleitores que votariam em Trump não necessariamente falaram isso nas pesquisas:

Mesmo tendo apoio de acadêmicos, que declararam voto pelos jornais, Hillary perdeu. A opinião pública foi pouco influenciada por esses personagens?
São jornais da elite americana, não são jornais do eleitorado de Trump, que, como as pesquisas mostraram, são brancos, com escolaridade média e com baixo acesso a cultura. É difícil você sensibilizá-los com jornais. A mídia interfere até um certo ponto, mas a partir daí a questão passa a ser de simpatia por um candidato. Mesmo que ele seja tripudiado, criticado pela grande imprensa, isso não vai sensibilizar o eleitor.

Republican presidential nominee Donald Trump arrives for his election night rally at the New York Hilton Midtown in Manhattan, New York, U.S., November 9, 2016. REUTERS/Andrew Kelly TPX IMAGES OF THE DAY

Foto: Andrew Kelly/Reuters

O que ajuda a explicar o voto nesse cenário?
Uma outra questão é o que se denomina na literatura de opinião pública como a espiral do silêncio, ou seja, aqueles que votariam em Trump não necessariamente falaram isso nas pesquisas porque havia uma avaliação negativa.

Isso causou o erro?
Não conseguiram acompanhar, o que não chega a configurar um erro, mas representa dificuldades para captar esse movimento, que é forte principalmente onde o voto é facultativo. Quando o voto é obrigatório, essa tendência se apresenta mais clara nas pesquisas. No caso americano, porém, sequer há a certeza de que a pessoa sairá de casa para votar.

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