Equipe de Trump pede a doadores que esqueçam divergências e contribuam

Equipe de Trump pede a doadores que esqueçam divergências e contribuam

Em meio à onda de descontentamento de republicanos com as posições do candidato, membros da legenda fazem apelos a grandes financiadores para que não o abandonem, o que poderia levar até mesmo à perda do controle do Senado

Redação Internacional

08 Agosto 2016 | 05h00

WASHINGTON – Após mais de uma semana de manifestações públicas de descontentamento, por parte de tradicionais doadores de campanha republicanos, com o candidato do partido às eleições presidenciais de novembro nos EUA, Donald Trump, membros da campanha do bilionário lançaram um apelo para que os financiadores não o deixem sozinho.

“Temos de apoiá-lo”, insistiu o investidor Carl Icahn, segundo duas pessoas que participaram de um evento destinado a conter a defecção dos doadores. “Nós todos temos de estar unidos.”

Candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump

Candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto: REUTERS/Carlo Allegri)

A conversa se deu ao redor de uma mesa repleta de ricos republicanos, reunidos numa casa de praia em Hamptons, Nova York. Icahn interveio quando o senador Mitch McConnell explicava como era importante para o partido conquistar o Senado na próxima eleição. Era importante ajudar os republicanos nas eleições legislativas, disse Icahn. Mas os conservadores se iludem se acham que podem fazer isso deixando Trump sozinho e sem apoio.

Em suítes de hotel, camarotes nos estádios, escritórios de Wall Street ou nos subúrbios do Texas, em conversas persistentes e tensas, aliados de Trump vêm implorando para republicanos influentes e doadores do partido ajudarem o magnata apesar de uma sequência nociva de polêmicas envolvendo o candidato, após a convenção republicana, que levaram membros do partido a se mostrarem dispostos a abandoná-lo.

O objetivo é convencer milhares de patrocinadores mais fiéis do partido a deixar de lado suas objeções a um candidato que muitos nunca apreciaram e o ajudarem a derrotar uma democrata da qual muitos gostam ainda menos. Nas próximas semanas, Trump e outros membros de sua campanha participarão de uma série de eventos de arrecadação de fundos organizados pelo Comitê Nacional Republicano em locais frequentados durante o verão pelos ricos, de East Hampton à região dos vinhos da Califórnia – num esforço derradeiro para ter acesso às vastas reservas financeiras do partido.

Nesta segunda-feira, 8, em Detroit, Trump deve anunciar um pacote de medidas de política econômica durante um discurso que seus partidários esperam o ajudará a relançar sua campanha e lembrar os doadores republicanos indecisos do forte contraste das suas propostas com as de Hillary Clinton em assuntos como impostos e regulamentação.

“É uma evolução natural na base de doadores”, disse Gaylord T. Hughey Jr., advogado do setor energético que apoiou Jeb Bush no início e agora trabalha para arrecadar fundos para Trump no Texas. “Acho que os doadores tradicionais ficaram chocados com a indicação de Trump. Eles o estão conhecendo melhor, mas também queriam saber qual seria a alternativa e quais as implicações.”

É uma enorme reviravolta no caso de todos os envolvidos, disseram vários doadores em entrevistas. Assessores e arrecadadores de fundos de Trump, que, ao se apresentar como bilionário, durante meses proclamou sua independência dos interesses financeiros tradicionais do partido, agora admitem que precisam que os grandes doadores mudem de posição e apoiem o candidato à presidência, pois assim terão recursos financeiros suficientes para competir com Hillary em todos os campos.

E ele pede ajuda num momento em que os doadores do establishment republicano se mostram hesitantes em razão da briga de Trump com a família de um veterano de guerra morto no Iraque e com o popular presidente da Câmara, o republicano Paul Ryan. Mesmo assim, têm de encarar o fato de que Trump é a única chance de tirar os democratas da Casa Branca.

Veja abaixo: Obama diz que Trump não tem condições de ser presidente

Mas há muita resistência visível. Paul E. Singer, importante investidor de Nova York que arrecadou mais de US$ 3 milhões para Mitt Romney em 2012, disse que não doará um dólar para os republicanos enquanto Trump for candidato. Seth Klarman, investidor de Boston que já ofereceu mais de US$ 4 milhões para candidatos e grupos republicanos durante anos, decidiu apoiar Hillary. Do mesmo modo Meg Whitman, executiva da Hewlett-Packard, uma das principais arrecadadoras de fundo para a campanha de Mitt Romney, que declarou na semana passada que Trump é “um demagogo desonesto”. O empresário também foi abandonado por Charles e David Koch, irmãos bilionários que administram uma enorme rede de grupos filantrópicos e políticos conservadores.

Doug Deason, investidor de Dallas cuja família é muito ativa na rede política de Koch, insistiu para Charles Koch reconsiderar sua decisão. Koch se recusou. / NYT