Escolhido para Segurança compartilhou dados secretos

Escolhido para Segurança compartilhou dados secretos

Segundo o ‘Washington Post’, Flynn deu informações a militares estrangeiros quando era chefe de inteligência no Afeganistão

Redação Internacional

14 Dezembro 2016 | 20h59

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Escolhido por Donald Trump para chefiar o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, o general da reserva Michael Flynn compartilhou de maneira imprópria informações confidenciais dos EUA com militares de outros países. A informação está em relatório de investigação sobre o assunto realizada em 2010, obtido pelo jornal Washington Post com base na lei de acesso à informação.

O caso foi encerrado sem punição de Flynn. A conclusão foi que a entrega das informações não foi feita de maneira deliberada nem comprometeu a segurança nacional dos EUA. Mas a investigação ressaltou que ele não tinha autorização para compartilhar os dados confidenciais durante o período em que serviu como chefe de inteligência militar no Afeganistão.

Michael Flynn, the retired general chosen by President-elect Donald Trump for national security adviser, waits in the lobby of Trump Tower on Fifth Avenue in New York, Dec. 12, 2016. (Sam Hodgson/The New York Times)

Michael Flynn, general da reserva escolhido por Trump como assessor de Segurança Nacional (Foto: Sam Hodgson/The New York Times)

O Washington Post obteve apenas um sumário do processo, cujo conteúdo é sigiloso. O documento indica que o caso foi iniciado depois que um oficial de inteligência da Marinha acusou Flynn de compartilhar de maneira inapropriada dados confidenciais com “vários militares estrangeiros”.

Durante a campanha presidencial, Flynn defendeu punir a democrata Hillary Clinton pelo uso de um servidor privado de internet durante sua gestão no Departamento de Estado, o que em tese poderia expor informações confidenciais do governo. Investigação conduzida pela CIA eximiu Hillary e seus assessores de responsabilidade criminal no caso, depois de concluir que a prática não comprometeu dados confidenciais.

Ainda assim, Flynn e outros aliados de Trump defenderam a prisão da candidata democrata durante a campanha eleitoral. Na convenção do Partido Republicano, em julho, o general estimulou o coro lock her up!, que se tornou uma das palavras de ordem preferidas dos seguidores do bilionário.

Flynn é um dos mais controvertidos integrantes do gabinete de Trump, célebre por suas declarações islamofóbicas. “Estamos enfrentando outro ‘ismo’, da mesma forma que enfrentamos o nazismo, o fascismo, o imperialismo e o comunismo”, declarou o general em palestra feita em agosto. “Ele é o islamismo, um câncer insidioso no corpo de 1,7 bilhão de pessoas e tem de ser removido.”

Trump nomeou nesta quarta-feira o ex-governador do Texas Rick Perry para chefiar o Departamento de Energia, responsável pela administração do arsenal nuclear dos EUA. Perry foi um dos pré-candidatos republicanos derrotados por Trump e, durante a campanha, defendeu a extinção do departamento que chefiará. Em um dos debates, ele não conseguiu se lembrar do nome da agência que estará sob seu comando a partir do dia 20 de janeiro.

O atual secretário de Energia é Ernest Moniz, professor de física nuclear no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Moniz teve uma ação crucial em dois marcos diplomáticos da administração Barack Obama que estarão ameaçados no governo Trump: o acordo sobre o programa nuclear do Irã e o Tratado de Paris que impôs limites à emissão de gases poluentes que provocam o aquecimento global.

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