Estudo mostra vantagem confortável de Hillary em votos do colégio eleitoral

Pesquisas estaduais feitas pelo jornal ‘Washington Post’ apontam candidata democrata como franca favorita em 20 Estados que lhe garantiriam 244 dos 270 delegados necessários para que seja eleita presidente dos EUA em 8 de novembro

Redação Internacional

07 de setembro de 2016 | 05h00

WASHINGTON – A nove semanas da eleição americana, pesquisas apontaram ontem que Donald Trump quase alcançou Hillary Clinton em intenções de voto no Alto Meio-Oeste, mas a vantagem da democrata em vários campos e alguns tradicionais redutos republicanos dá a ela uma grande dianteira, segundo levantamento Washington Post-SurveyMonkey.

A publicação do estudo coincide com a divulgação de uma pesquisa da CNN que aponta para uma pequena vantagem do republicano na votação geral (45% a 43%). Mas a abrangente sondagem Post-SurveyMonkey, que ouviu 74 mil eleitores registrados, destaca um enfraquecimento crítico da candidatura de Trump – um déficit sem precedentes para um republicano entre eleitores brancos com curso superior, especialmente mulheres. Brancos com grau universitário foram leais eleitores republicanos em recentes eleições, mas Trump está atrás de Hillary nesse grupo em grande parte do país, incluindo Estados historicamente republicanos.

Hillary faz campanha em Hampton, Illinois; democrata descatou viajar agora para o México para encontro com presidente Enrique Peña Nieto (FOTO: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)

Hillary faz campanha em Hampton, Illinois (FOTO: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)

O resultado nos 50 Estados, em termos práticos, é mais importante do que os números da média nacional – que mostram a redução da vantagem de Hillary para Trump. A liderança nacional de 8 a 10 pontos de Hillary, após a Convenção Democrata, tinha se reduzido um mês atrás para cerca de 4 pontos, segundo o RealClearPolitics.

O apoio a Trump no Meio-Oeste, onde o eleitorado é em geral mais velho e constituído na maioria por brancos, aparece mais forte e indica a possibilidade de ganhos em lugares em que os democratas venceram recentemente. Ele tem pequena vantagem em dois possíveis Estados indefinidos – Ohio e Iowa – e está próximo de ganhar em Wisconsin, Pensilvânia e Michigan, onde os democratas venceram seis eleições consecutivas.

Ao mesmo tempo, no entanto, Trump enfrenta dificuldades em lugares que tradicionalmente dão vitórias consistentes aos republicanos – como Arizona, Geórgia e Texas.
Os números do Texas, onde foram ouvidos mais de 5 mil eleitores, mostram um empate técnico, com Hillary à frente por 1 ponto porcentual.

Hillary também lidera, por menos de 4 pontos, no Colorado e na Flórida, e está empatada com Trump na Carolina do Norte. No Mississippi, a vantagem de Trump é de apenas 2 pontos. Hillary lidera por 4 pontos ou mais em 20 Estados, além do Distrito de Colúmbia. Juntos, esses Estados somam 244 votos no colégio eleitoral, 26 abaixo dos 270 necessários para a vitória.

Trump lidera por no mínimo 4 pontos em 20 Estados, mas esses são apenas 126 votos eleitorais. Nos dez Estados restantes, que detêm 168 votos eleitorais, nenhum candidato tem vantagem de 4 pontos ou mais.

Campanhas. No geral, os resultados refletem a estratégia de Trump de maximizar o apoio dos mais velhos nos Estados mais brancos do Meio-Oeste, onde sua mensagem contra o livre comércio e seus apelos à identidade nacional geralmente encontram terreno mais fértil.

Mas suas dificuldades em Estados que há muito apoiam os republicanos ilustram os desafios dessa estratégia. Em Estados mais diversificados, as posições sobre imigração e outros pontos afastaram democratas, independentes e muitos republicanos.

Para vencer, Trump precisa consolidar rapidamente o voto tradicional do partido – enquanto republicanos destacados declaram que não o apoiam, e alguns anunciam apoio a Hillary. Segundo a pesquisa Post-SurveyMonkey, Hillary tem 90% ou mais do voto democrata em 32 Estados, enquanto Trump está nessa faixa ou acima em apenas 13 para o voto dos republicanos.

Como era esperado, a disputa Hillary-Trump dividiu o eleitorado em linhas raciais. Suas bases de apoio são imagens espelhadas: na média, Hillary está 31 pontos mais bem colocada entre eleitores não brancos que entre brancos, e Trump, 31 pontos melhor entre brancos.

O eleitorado também está dividido em linhas de gênero e educação, em muitos casos numa extensão maior que em eleições recentes. Numa média entre os 50 Estados, Hillary está 14 pontos mais bem colocada entre mulheres que entre homens, e Trump, 16 pontos à frente entre homens. / THE WASHINGTON POST

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