EUA admitem atraso de pagamento ao Irã até conseguir libertação de detidos

EUA admitem atraso de pagamento ao Irã até conseguir libertação de detidos

O jornal 'The Wall Street Journal' informou hoje que os EUA não entregaram o dinheiro ao Irã até que um avião com três americanos libertados saiu do país asiático, apesar de que a Casa Branca insistiu que os dois processos foram realizados de forma independente

Redação Internacional

18 Agosto 2016 | 21h18

WASHINGTON – Os Estados Unidos admitiram nesta quinta-feira, 18, que atrasaram o envio de US$ 400 milhões que estavam congelados ao Irã em janeiro até que obtiveram a libertação de vários americanos detidos por Teerã, devido ao temor que o governo iraniano “descumprisse” sua promessa de entregá-los, mas ressaltaram que o pagamento não foi um resgate.

O jornal The Wall Street Journal informou hoje que os EUA não entregaram o dinheiro ao Irã até que um avião com três americanos libertados saiu do país asiático, apesar de que a Casa Branca insistiu que os dois processos foram realizados de forma independente.

FILE - In this Oct. 23, 2015 file-pool photo, Secretary of State John Kerry, speaks to senior adviser John Kirby before a news conference in Vienna. The State Department says a $400 million cash payment to Iran was contingent on the release of American prisoners. Spokesman Kirby says negotiations over the U.S. returning Iranian money from a decades-old account was conducted separately from the prisoner talks. But he says the U.S. withheld delivery of the cash as leverage until the U.S. citizens had left Iran. (Carlo Allegri/Pool Photo via AP, File)

O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, com o secretário de Estado, John Kerry em imagem de arquivo. Foto: Carlo Allegri/AP

“Queríamos reter o máximo de margem de manobra possível até depois que os cidadãos americanos fossem libertados”, admitiu hoje o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, ao ser perguntado pela notícia durante sua entrevista coletiva diária.

“Achamos que reter essa entrega (dos US$ 400 milhões até que os americanos fossem libertados) era prudente”, acrescentou o porta-voz, ao reconhecer que Washington estava preocupado pela possibilidade de que “o Irã pudesse descumprir (sua promessa de) liberar os prisioneiros”.

A oposição republicana acusou recentemente o governo de Barack Obama de ter pagado um resgate por esses prisioneiros, algo que o Executivo segue negando repetidamente.

Esses US$ 400 milhões – entregues em notas de euro, francos suíços e outras moedas levadas por um avião que saiu de Genebra – eram a primeira parte do US$ 1,7 bilhão iranianos retidos que os Estados Unidos se comprometeram liberar para resolver uma disputa internacional que se arrastava desde a Revolução Islâmica (1979).

O primeiro pagamento dessa quantia – que pertencia ao Irã, mas estava há décadas em poder dos Estados Unidos – foi efetivado no dia 17 de janeiro, mesmo dia que o Irã libertou os americanos.

Segundo afirma hoje o The Wall Street Journal, legisladores republicanos preveem organizar audiências no Congresso sobre a operação em setembro.

O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou este episódio para atacar sua rival democrata nas eleições de novembro, Hillary Clinton.

“Nossa incompetente (ex) secretária de Estado, Hillary Clinton, foi quem começou as conversas para dar US$ 400 milhões em dinheiro ao Irã. Um escândalo!”, escreveu Trump em sua conta no Twitter este mês.

Por sua parte, o governo reforçou que a libertação e o pagamento dessa quantia não tiveram relação e o acordo para pagar US$ 1,7 bilhão e pôr fim à disputa é bom para o país, pois os valores poderiam ter sido muito maiores nos tribunais.

“Nós não pagamos resgates por reféns. Não fizemos aqui (no caso do Irã) e não faremos no futuro”, ressaltou Obama em entrevista coletiva no início deste mês.

O Irã tinha pagado US$ 400 milhões aos EUA em 1979 em troca de equipamentos militares que nunca foram entregues em razão revolução e, desde 1981, reivindicava em um tribunal de Haia (Holanda) a devolução dessa quantia mais juros. / EFE