FBI diz que Hillary não deve ser acusada por usar e-mail pessoal para temas oficiais

Com pronunciamento público, diretor do FBI deu mais dados sobre a investigação realizada há meses pelo organismo e pelo Departamento de Justiça para descobrir se a ex-primeira-dama pôs em perigo a segurança nacional

Redação Internacional

05 de julho de 2016 | 15h48

WASHINGTON – O diretor do FBI, James Comey, afirmou nesta terça-feira, 5, que a virtual candidata à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, não deve ser acusada pelo uso de vários servidores de e-mail particulares para lidar com assuntos oficiais quando era secretária de Estado (2009-2013).

A recomendação do FBI é provisória, e a decisão definitiva depende do Departamento de Justiça. “Expressamos à Justiça nossa visão de que não devem ser apresentadas acusações nesse caso”, disse Comey em entrevista coletiva na sede do FBI, em Washington.

Em pronunciamento à imprensa, o diretor do FBI declarou que a ex-primeira-dama usou “vários” dispositivos móveis, como telefones celulares, para ter acesso a “vários servidores” particulares de e-mail, nos quais administrou assuntos oficiais e confidenciais durante seus quatro anos à frente da diplomacia americana.

“Embora não tenham sido encontradas provas claras de que a secretária Clinton ou seus companheiros tivessem intenção de violar as leis que regem o controle de informação sigilosa, há evidência de que foram muito negligentes em sua administração de informações muito sensíveis, altamente confidenciais”, disse Comey.

O chefe do FBI disse que a investigação mostrou que 110 mensagens de e-mail incluídas em 52 cadeias de mensagem continham informações sigilosas.

Além disso, Comey apontou que “é possível” que atores externos e hostis aos Estados Unidos tenham tido acesso a informações sigilosas do governo através da conta de correio de Hillary, embora tenha ressaltado que “não se encontraram provas” da intrusão de hackers.

 

Com esse pronunciamento público, Comey deu mais dados sobre a investigação realizada há meses pelo FBI e o Departamento de Justiça para descobrir se a ex-primeira-dama pôs em perigo a segurança nacional ou lidou de maneira incorreta com informações sigilosas por meio de seu e-mail pessoal.

A decisão do FBI terá caráter definitivo, conforme disse na semana passada a procurador-geral dos EUA, Loretta Lynch.

Após um controverso encontro com o ex-presidente Bill Clinton, a procuradora garantiu que se dedicará unicamente a revisar o relatório final e não usará seu poder para anular a investigação ou influir na possibilidade de acusar a política democrata.

A secretária de Justiça afirmou que essa decisão foi tomada há meses para tirar qualquer dúvida sobre um possível conflito de interesses, pois Lynch foi nomeada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, e anteriormente foi indicada por Bill Clinton para a Procuradoria do Distrito Leste de Nova York.

O anúncio do FBI ocorre poucas semanas antes da convenção do Partido Democrata que será realizada de 25 a 28 na Filadélfia (Pensilvânia) e na qual será designado oficialmente o candidato da legenda para as eleições presidenciais de novembro.

Repercussão.  A informação teve repercussão imediata entre membros da oposição. Donald Trump, provável candidato republicano e há dias vem dando declarações pedindo que Hillary seja indiciada, afirmou hoje que a decisão do FBI é “muito injusta”.

“O sistema é uma fraude. General Petraeus teve problemas por muito menos. Muito, muito injusto. Como sempre, péssimo julgamento”, escreveu Trump em sua conta no Twitter.

O republicano se referia ao ex-diretor da CIA David Petraeus que em 2015 foi condenado a 2 anos de liberdade condicional e a pagar uma multa de US$ 100 mil por revelar segredos militares a sua então amante Paula Broadwell, em 2011.

O general teve sua carreira destruída ao envolver-se em um caso extraconjugal com Paula, sua biógrafa, e repassar a ela informações confidenciais enquanto ela trabalhava em seu livro.

Outros políticos republicanos têm pedido uma investigação independente sobre o caso, dizendo não confiar que o Departamento de Justiça conduzirá o inquérito com imparcialidade.

O presidente da Câmara dos Deputados, o republicano Paul Ryan, disse que o anúncio de Comey “desafia explicações”. “Com base no comunicado do próprio diretor, parece que o dano já foi causado à regra da lei. Declinar de processar Hillary por manuseio e transmissão incorreta e imprudente de informação de segurança nacional estabelece um terrível precedente”, disse Ryan. / EFE e REUTERS 

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