FBI investiga vazamento de e-mails do Partido Democrata

FBI investiga vazamento de e-mails do Partido Democrata

Democratas acreditam que divulgação de mensagens por parte do WikiLeaks está ligada à inteligência russa

Redação Internacional

25 Julho 2016 | 16h30

Cláudia Trevisan
ENVIADA ESPECIAL / FILADÉLFIA, EUA

O FBI anunciou nesta segunda-feira, 25, que investigará o ciberataque que causou o vazamento de quase 20 mil e-mails do Comitê Nacional do Partido Democrata divulgados pelo WikiLeaks. Líderes partidários acreditam que a Rússia tenha patrocinado a operação e sustentam que ela teve o objetivo de beneficiar a candidatura do republicano Donald Trump.

Algumas mensagens mostraram membros do comitê discutindo maneiras de prejudicar o senador Bernie Sanders na disputa com Hillary Clinton durante as primárias. A revelação do teor das mensagens enfureceu seguidores do senador e ameaçou o esforço dos democratas de apresentarem uma imagem de unidade em torno da candidatura da ex-secretária de Estado durante a convenção na Filadélfia.

O WikiLeaks não revelou de quem recebeu os quase 20 mil e-mails trocados por integrantes do Comitê Nacional Democrata. O partido sabia antes da divulgação das mensagens que o seu servidor havia sido comprometido. Contratada para investigar o ciberataque, a empresa CrowdStrike vinculou a ação a dois grupos ligados ao serviço de inteligência russo.

Assessores de Hillary apresentam uma série de fatores que justificariam o interesse de Moscou nas eleições americanas. Em várias ocasiões, Trump demonstrou simpatia pelo presidente russo, Vladimir Putin, e disse esperar que ambos tenham um bom relacionamento. Na semana passada, Trump colocou em dúvida o compromisso dos EUA de defenderem seus aliados da Otan de um eventual ataque da Rússia. Segundo ele, isso só ocorrerá se as nações estiverem em dia com suas contribuições financeiras à instituição.


Democratas também apontam para a posição ambígua de Trump em relação à Ucrânia, país invadido por tropas russas em 2014. O dirigente da campanha do bilionário, Paul Manafort, foi consultor do ex-presidente do país, Viktor Yanukovich, de 2004 a 2010. Derrubado por um levante popular em 2014, ele vive hoje exilado na Rússia.

Reportagem publicada pelo Washington Post, na semana passada, disse que auxiliares de Trump atuaram para evitar que a plataforma do Partido Republicano incluísse a defesa da entrega de armas à Ucrânia para que o país enfrente a Rússia e grupos rebeldes apoiados por Moscou, contrariando posição da ala tradicional da legenda.

“Múltiplos especialistas em segurança e inteligência descreveram o ciberataque como realizado por inimigos apoiados pelo governo russo”, disse ontem Jake Sullivan, assessor de política externa da campanha de Hillary. “Se for comprovado, isso representa uma interferência da Rússia em uma eleição americana, o que é profundamente alarmante e inaceitável.”

Sullivan ressaltou que muitas posições defendidas por Hillary contrariam setores do governo de Moscou. Entre elas, Sullivan mencionou o apoio incondicional dos aliados europeus dos EUA e a promoção de princípios democráticos e de respeitos aos direitos humanos além das fronteiras americanas. Em nota, o FBI disse que está investigando “a natureza e o escopo” do ataque.