Hillary avança em Estados republicanos enquanto Trump insiste que eleições são fraudadas

Hillary avança em Estados republicanos enquanto Trump insiste que eleições são fraudadas

Candidata democrata aumentou substancialmente os gastos com publicidade em Estados 'vermelhos' enquanto que o magnata republicano aposta na teoria de que há um 'grande complô' contra seu partido e sua candidatura

Redação Internacional

18 de outubro de 2016 | 09h53

NOVA YORK – Enquanto o caminho para uma vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos EUA parece ser cada vez mais improvável, com o bilionário apostando cada vez mais na hipótese de que a eleição tem sido manipulada, a intenção de voto na candidata democrata, Hillary Clinton, em Estados tradicionalmente republicanos tem aumentado.

A campanha de Hillary também lançou nesta semana novos esforços para expandir a vantagem que ela já conquistou em vários Estados, de forma a ajudar o partido a recuperar o controle do Congresso. No Arizona, por exemplo, foram gastos US$ 2 milhões em publicidade e a capital, Arizona, será uma das paradas da primeira-dama, Michelle Obama, que se tornou uma das mais importantes apoiadoras de Hillary.

Hillary tenta conquistar votos em Estados republicanos e Trump acusa processo eleitoral de fraude (FOTO: EFE/Cesare Abbate)

Hillary tenta conquistar votos em Estados republicanos e Trump acusa processo eleitoral de fraude (FOTO: EFE/Cesare Abbate)

Já os Estados de Indiana e Missouri receberam investimentos de US$ 1 milhão, principalmente focados na disputa pelo Senado, ainda embaralhada. No Texas, por sua vez, os democratas compraram pequenas inserções televisivas e em Utah, um dos Estados mais conservadores dos EUA, figuras-chave do partido ainda devem fazer campanha.

Mas nem tudo tem funcionado tão bem para Hillary. Surgiram novidades no escândalo dos e-mails e, na noite de segunda-feira, foi revelado que um funcionário de alto cargo do Departamento de Estado pressionou o FBI para que não marcasse como confidencial um e-mail sobre o ataque de 2012 contra o consulado dos EUA em Benghazi.

Durante um ato de campanha em Green Bay, no Estado de Wisconsin, Trump afirmou que essa manobra frustrada seriam uma clara amostra de “conluio” e afirmou que era uma situação pior do que Watergate. “Este é um dos maiores erros da justiça na história do nosso país”, afirmou o magnata. Em um vídeo publicado na internet, Trump também afirmou que as novas evidências do FBI são provas de um complô entre o FBI, o Departamento de Justiça e o Departamento de Estado para “tentar fazer com que Hillary Clinton pareça uma pessoa inocente”.

Como parta da estratégia do republicano para reduzir a vantagem de Hillary, a campanha de Trump aumentou seus gastos com publicidade de forma expressiva em sete dos chamados “swing states” – que não são, tradicionalmente, nem republicanos e nem democratas – e anunciou ainda planos para uma campanha-relâmpago na Virgínia – um dos Estados que está indefinido desde o início da disputa eleitoral – estimada em US$ 2 milhões.

Trump também deve manter sua retórica sobre a legitimidade do sistema eleitoral. Em uma rodada de publicações no Twitter na segunda-feira, ele atacou outros republicanos que tentaram minimizar suas reclamações, chamando os líderes de seu próprio partido de “ingênuos” e afirmando, sem apresentar provas, que a grande fraude eleitoral é real.

O estudo de um professor da Loyola Law School, no entanto, chegou a conclusão de que dos mais de 1 bilhão de votos computados na eleições americanas de 2000 a 2014 apenas 31 deles foram considerados fraudulentos – a maioria por falsidade ideológica, colocando em dúvida as alegações de Trump sobre fraude na votação. / AP