Hillary busca conter danos e acusa chefe do FBI de tentar acobertar Trump

Hillary busca conter danos e acusa chefe do FBI de tentar acobertar Trump

Assessores da democrata alegam que não há nenhuma novidade sobre o caso das mensagens recebidas e enviadas pela candidata no período em que ela foi secretária de Estado e dizem que diretor da polícia procura interferir em eleição

Redação Internacional

01 de novembro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Hillary Clinton entra na última semana da campanha eleitoral americana na defensiva, tentando desacreditar o diretor do FBI, James Comey, e seu anúncio de que a instituição analisará novos e-mails potencialmente relacionados à sua gestão no Departamento de Estado. “Não existe um caso aqui”, disse nesta segunda-feira a candidata, que mantém a liderança nas pesquisas em uma disputa cada vez mais acirrada com Donald Trump.

Nesta segunda-feira, assessores da democrata acusaram Comey de proteger o adversário republicano por supostamente não chancelar a divulgação de um documento do governo americano que acusou a Rússia de interferência no processo eleitoral dos Estados Unidos. Segundo a investigação, Moscou estaria por trás da interceptação da correspondência eletrônica de integrantes do Partido Democrata que vêm sendo divulgada pelo WikiLeaks desde julho e utilizada pelos republicanos para atacar Hillary.

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton (Foto: AFP PHOTO / SAUL LOEB)

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton (Foto: AFP PHOTO / SAUL LOEB)

Reportagem da rede de TV CNBC afirmou nesta segunda-feira que o diretor do FBI decidiu não subscrever o documento do dia 7 de outubro sob o argumento de que ele poderia influenciar o processo eleitoral. Mas assessores de Hillary afirmaram que o mesmo critério não foi adotado por Comey no anúncio de que a instituição analisará e-mails de Huma Abedin, uma das mais próximas auxiliares da candidata democrata.

Questionamentos. A decisão do diretor do FBI de comunicar a avaliação das mensagens ao Congresso foi criticada em carta assinada por cem ex-procuradores de Justiça que trabalharam em governos democratas e republicanas. Segundo eles, o gesto contrariou a orientação do Departamento de Justiça de que autoridades não façam comentários sobre investigações em andamento, especialmente às vésperas de eleições.

O porta-voz do presidente Barack Obama, Josh Earnest, disse que a Casa Branca não iria “defender nem criticar” Comey. Mas ele ressaltou que o presidente não acredita que o diretor do FBI tenha agido para beneficiar um candidato ou partido político.

O anúncio aumentou a incerteza da disputa e ocorreu no momento em que Trump se recuperava da divulgação de um vídeo no qual faz comentários vulgares sobre mulheres e registrava crescimento nas pesquisas eleitorais. A média dos levantamentos nacionais recentes calculada pelo site RealClearPolitics mostrou que a vantagem de Hillary em relação a Trump passou de 7 pontos porcentuais, há duas semanas, para 3 pontos nesta segunda-feira.

A eleição americana, no entanto, não ocorre em um pleito nacional, mas em votações em cada um dos 50 Estados, de onde saem os 538 integrantes do Colégio Eleitoral cuja composição decide o resultado final da disputa. Nessa conta, a distância entre a democrata e o republicano é maior do que a apontada nas pesquisas nacionais.

Pela contagem ponderada, Hillary teria garantidos 263 votos no Colégio Eleitoral, 7 a menos que os 270 necessários para a vitória. Com Estados que tradicionalmente votam no Partido Republicano, Trump conquistaria 164, segundo o RealClearPolitics. Os restantes 111 seriam definidos nos “swing states”, que são os Estados que oscilam entre os dois partidos e acabam decidindo a eleição.

Hillary lidera as pesquisas na maioria deles, mas perdeu terreno para Trump em campos de batalha importantes, como a Flórida. Pesquisa divulgada pelo New York Times no domingo colocou Trump 4 pontos à frente da democrata no Estado.

Reta final. Na última semana antes da eleição do dia 8, Hillary contará com apoio de seus principais cabos eleitorais. Obama pretende participar de eventos de campanha todos os dias até o dia 8 de novembro. O senador Bernie Sanders, ex-adversário da candidata nas primárias democratas, percorrerá 12 Estados da costa Oeste à Leste. Mais popular entre os apoiadores de Hillary, a primeira-dama Michelle Obama também estará na campanha, assim como o ex-presidente Bill Clinton.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.