Hillary busca fragilidades de rival para 1º debate; Trump tenta conter danos

Hillary busca fragilidades de rival para 1º debate; Trump tenta conter danos

Campanha democrata reúne informações e tenta antecipar reação do magnata a ataques diante das câmeras, daqui a quatro semanas; adepto do improviso, republicano rejeita apoio de líder da Ku Klux Klan e prepara mensagem sobre imigração

Redação Internacional

31 Agosto 2016 | 05h00

WASHINGTON – A pouco menos de um mês do primeiro debate presidencial nos Estados Unidos, a equipe da democrata Hillary Clinton está investindo pesado para reunir o máximo de informações e nuances possíveis para desestabilizar o republicano Donald Trump diante das câmeras. Ao mesmo tempo, o magnata corre para conter novas crises que podem ser munição nas mãos de sua adversária.

Reportagem do jornal New York Times de ontem mostrou que os assessores de Hillary recorreram, como ponto de partida, ao coautor de The Art of the Deal – best seller de Trump dos anos 80 –, o jornalista Tony Schwartz, para buscar alguns conselhos. O objetivo, segundo a reportagem, é encontrar as mais profundas inseguranças para serem usadas para atacar Trump daqui a quatro semanas. O jornal destaca que a preparação da campanha é a mais antecipada na história política recente do país.

FILE - In this Aug. 25, 2016 file photo, Democratic presidential candidate Hillary Clinton greets people in the audience after speaking at a campaign event at Truckee Meadows Community College, in Reno, Nev. Donald Trump is doing relatively well in Nevada, due to the state of the state’s economy, its large population of noncollege graduates and history of ticket splitting history. AP Photo/Carolyn Kaster, File)

Hillary Clinton em Nevada: em busca da desconstrução de Donald Trump. Foto: Carolyn Kaster/AP

Ao mesmo tempo, Trump tenta conter danos. Ontem, sua campanha rejeitou uma gravação do supremacista branco, integrante e ex-líder da Ku Klux Klan, David Duke, que pedia a eleitores de Louisiana que votassem nele e no magnata. Duke disputa uma vaga ao Senado.
Em comunicado enviado ao site Politico, a campanha republicana afirmou que Trump “tem continuamente denunciado David Duke ou qualquer outro grupo ou indivíduo associado a mensagens de ódio”.

Essa não foi a primeira vez em que Duke foi relacionado a Trump. Em fevereiro, o magnata foi criticado por não se posicionar claramente sobre uma declaração de apoio de Duke e demorar em desautorizá-lo.
Desta vez, a campanha de Trump tentou ser mais rápida e repudiou rapidamente o apoio. Hillary, porém, também foi rápida ao criticar a associação entre os dois. “Gostaria de deixar isso claro, para que as pessoas possam ver e entender que David Duke manifestou seu apoio a Donald Trump. (Duke) ele é o grão-mestre da Ku Klux Klan”, disse Hillary, na segunda-feira. “Ninguém tem ideia de como ele está indo (na campanha) e de como seu apoio a Trump pode colocar esse homem desprezível no Senado dos EUA.”

Essa pode ser mais uma das polêmicas que a equipe da democrata deverá utilizar no debate. Seus assessores também estão consultado psicólogos para criar um perfil de Trump e antecipar como ele responderá aos ataques.

“Eles estão realizando uma análise do tipo forense do desempenho de Trump nos debates das primárias republicanas, catalogando pontos fortes, fracos e aqueles que podem fazer Trump se comportar menos presidencial”, escreveu o Times.

A reportagem cita que Trump não está muito preocupado em se preparar para o confronto e prefere o improviso. “Acredito que se você se preparar demais para essas coisas, pode ser perigoso. Você pode soar roteirizado ou falso, como se estivesse tentando ser uma pessoa que não é”, disse Trump, em uma entrevista.
Seu esforço se concentra em tentar diminuir a munição que será usada por Hillary. Hoje, ele fará um aguardado discurso sobre imigração e a expectativa é de que, após a sequência de declarações agressivas, o republicano possa moderar a linguagem para ganhar votos de grupos minoritários.

Apesar de ainda defender a construção de um muro na fronteira dos EUA com o México, na semana passada, Trump deixou em aberto a possibilidade de retroceder em sua proposta de “deportação em massa” defendida anteriormente. Atualmente, cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais vivem nos EUA. / NYT e EFE