Hillary chega como favorita ao final da campanha, mas disputa é imprevisível

Hillary chega como favorita ao final da campanha, mas disputa é imprevisível

Na véspera da eleição, democrata tem pequena vantagem sobre Donald Trump, mas o anúncio do FBI de que manterá a conclusão de que ela não cometeu crime ao usar um servidor privado quando era secretária de Estado deve fortalecê-la

Redação Internacional

07 de novembro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Hillary Clinton chega à véspera da eleição americana como favorita para ocupar a Casa Branca no próximo ano. Mas sua vantagem é pequena e, na mais imprevisível disputa da história recente dos Estados Unidos, Donald Trump ainda tem uma estreita brecha para cruzar a linha de chegada.

As chances de vitória de Hillary foram reforçadas ontem com o anúncio do FBI de que a análise de e-mails de uma de suas principais assessoras não alterou a conclusão da agência de que a candidata democrata não cometeu crime ao decidir usar um servidor privado de internet durante sua gestão no Departamento de Estado.

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, faz campanha ao lado do jogador de basquete LeBron James (Foto: Doug Mills/The New York Times)

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, faz campanha ao lado do jogador de basquete LeBron James (Foto: Doug Mills/The New York Times)

Há nove dias, o FBI disse que havia encontrado novas mensagens que poderiam estar relacionadas ao caso, encerrado em julho, o que provocou a redução da vantagem da democrata nas sondagens de intenção de voto.

Projeções realizadas com base nas pesquisas recentes dão a Hillary uma chance de 66% a 98% de vencer amanhã e ser a sucessora de Barack Obama. Depois de registrar redução da vantagem da democrata na semana passada, as sondagens se estabilizaram com a candidata na liderança.

O acompanhamento diário de Washington Post/ABC provocou pânico nos mercados no início da semana, quando colocou Trump 1 ponto porcentual à frente de Hillary. Na sexta-feira, ela havia retomado a liderança com uma margem de 5 pontos. Pesquisa de NBC/Wall Street Journal divulgada no sábado dá 44% das intenções de voto para a democrata e 40% para o republicano. A diferença é de apenas 2 pontos em levantamento da Fox News.

Mas a vitória nos EUA não é definida em uma eleição nacional, e sim em votações em cada um dos 50 Estados americanos, de onde saem os 538 votos do Colégio Eleitoral. Nos últimos dias, Hillary viu sua vantagem diminuir em alguns dos Estados cruciais, como Pensilvânia, Colorado, Michigan e Novo México. Ao mesmo tempo, Trump assumiu a liderança em New Hampshire, Carolina do Norte e Nevada. Quase todos esses locais são “swing states”, que balançam entre os dois partidos e são decisivos para o resultado da eleição.

Clifford Young, diretor do instituto de pesquisas Ipsos, coloca em 80% a probabilidade de uma vitória de Hillary, mas observa que a atual eleição é mais incerta que as anteriores, em razão do sentimento antiestablishment que move os eleitores. “Temos uma base de dados de 600 eleições em todo o mundo e 85% delas são fáceis de prever, pois a escolha é entre continuidade e mudança”, afirmou Young. “Mas 15% delas fogem desse padrão e são caracterizadas pela descrença no sistema e na classe política e o sentimento dos eleitores de que os que estão no poder não se preocupam com eles.” Segundo Young, a disputa de 2016 dos EUA se enquadra nesse modelo de “ruptura”, em que o passado não necessariamente prevê o futuro.

Hillary é a representante por excelência do “sistema”, enquanto Trump é o candidato que desafia o poder estabelecido. O sentimento de rejeição ao establishment político também mobilizou parcela significativa do próprio Partido Democrata, que deu sustentação a Bernie Sanders durante as primárias da legenda.

O cientista político Alan Abramowitz, professor do Emory College, prevê uma eleição apertada, com a vitória de Hillary. “Ela vai ganhar, mas não será de lavada. A diferença deve ser de 3 a 6 pontos porcentuais e o Colégio Eleitoral deve ser semelhante ao de 2012”, disse. Naquele ano, Obama derrotou o republicano Mitt Romney com um placar de 51,1% a 47,2% dos votos.

Após a inesperada vitória do “Brexit” e da derrota do acordo de paz na Colômbia, a grande dúvida é se as urnas desmentirão as pesquisas e darão vitória a Trump. Quase todos os levantamentos colocam Hillary à frente, mas o bilionário tem vantagem de 5 pontos na pesquisa do Los Angeles Times, o único que prevê esse cenário.

“A indústria de pesquisas nos EUA é muito avançada. É uma disputa apertada, mas é improvável que as sondagens estejam tão erradas, e elas indicam que Hillary ganhará”, disse o professor Sam Wang, criador do Princeton Election Consortium, um programa de análise de estatísticas e projeções eleitorais da Universidade Princeton.

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