Hillary e Michelle criticam Trump por questionar nascimento de Obama

Hillary e Michelle criticam Trump por questionar nascimento de Obama

Com um atraso de cinco anos, Donald Trump admitiu nesta sexta-feira, 16, o óbvio: o presidente Barack Obama nasceu nos EUA

Redação Internacional

16 de setembro de 2016 | 19h57

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE/ WASHINGTON

Com um atraso de cinco anos, Donald Trump admitiu nesta sexta-feira, 16, o óbvio: o presidente Barack Obama nasceu nos EUA. Em 2011, o candidato republicano liderou uma campanha que colocou em dúvida a cidadania do primeiro líder negro do país, com insinuações de que ele havia nascido no exterior e era muçulmano. Desde então, se recusava a reconhecer que estava equivocado.

A candidata democrata Hillary Clinton usou a controvérsia para acusar o adversário de fazer uma campanha racista contra o primeiro presidente negro do país e afirmou que ele deveria pedir desculpas a Obama e aos americanos.

First lady Michelle Obama speaks during a campaign rally in support of Democratic presidential candidate Hillary Clinton and vice presidential candidate Tim Kaine, D-Va., Friday, Sept. 16, 2016, at George Mason University in Fairfax, Va. (AP Photo/Manuel Balce Ceneta)

Michelle em campanha no Estado da Virgínia. Foto: Manuel Balce Ceneta/AP

“Durante cinco anos ele liderou o movimento sobre o nascimento para deslegitimar nosso primeiro presidente negro. Sua campanha foi fundada em uma mentira ofensiva. Não há como apagar isso da história”, disse a candidata.

Hoje, em seu primeiro ato de campanha em favor de Hillary, a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, também atacou Trump, sem mencionar seu nome. “Houve aqueles que continuaram a questionar pelos últimos oito anos e até hoje se meu marido nasceu neste país”, disse Michelle em discurso no Estado da Virgínia. “Acho que Barack respondeu a essas questões com o exemplo que deu ao se elevar, enquanto eles se rebaixavam.”

Trump enterrou sua teoria conspiratória com outra mentira: a de que o questionamento do local de nascimento do presidente foi iniciado por Hillary e sua campanha na disputa pela candidatura democrata na eleição de 2008. Em sua releitura dos fatos, coube a ele colocar fim à controvérsia.

Na verdade, a questão foi levantada pelo próprio Trump e sustentada por ele durante quase dois meses em 2011. Em abril daquele ano, a Casa Branca divulgou cópias da certidão de nascimento de Obama. Mesmo depois disso, o bilionário continuou a colocar em dúvida o local de nascimento do presidente e questionou a autenticidade da certidão.

Em entrevista ao Washington Post, divulgada na noite de quinta-feira, o candidato disse que não estava disposto a dizer se acreditava que o presidente havia nascido nos EUA. “Responderei a essa questão no momento correto”, disse. “Só não quero responder agora.”

Diante da reação negativa ao comentário, sua campanha divulgou um comunicado poucas horas depois. Segundo o texto, Trump acreditava que Obama nasceu nos EUA. Hoje, o republicano repetiu publicamente a declaração: “O presidente Obama nasceu nos EUA. Ponto”.

A campanha de Trump encontrou eco em parte do eleitorado americano. Pesquisa divulgada em maio pelo Public Policy Polling mostrou que 59% de seus seguidores acreditam que Obama não nasceu nos EUA. Um porcentual ainda maior, de 65%, afirma que o presidente é muçulmano.

O republicano adotou um estilo mais disciplinado e contido desde meados de agosto, quando mudou o comando de sua campanha em reação a sua queda nas pesquisas. Trump passou a ler seus discursos em teleprompter e reduziu seus ataques a críticos e adversários.

Sua declaração de hoje foi criticada por integrantes da bancada afro-americana no Congresso, que a usaram para tentar mobilizar os eleitores negros a votarem em Hillary na eleição de novembro.

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