Hillary e Trump debatem hoje com audiência inédita

Hillary e Trump debatem hoje com audiência inédita

Duelo na TV será visto por quase 100 milhões de pessoas nos EUA, a maior audiência desde 1980; magnata precisa parecer ‘presidencial’

Redação Internacional

26 de setembro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
Correspondente / Washington

Quase empatados nas pesquisas eleitorais, Hillary Clinton e Donald Trump se enfrentam nesta segunda-feira no primeiro debate da campanha à presidência dos EUA, que deverá ser visto por quase 100 milhões de americanos, a maior audiência desde 1980. Naquele ano, o ex-governador da Califórnia Ronald Reagan teve de superar a imagem de ator mediano de Hollywood. Trump tem o desafio de parecer “presidencial”, apesar da retórica bombástica e da falta de detalhes de suas propostas.

A grande incógnita da noite é qual das versões de Trump aparecerá no auditório da Universidade Hofstra, em Nova York: o que distribuía insultos e intimidava adversários nas primárias republicanas ou o candidato disciplinado que emergiu em agosto, submetido quase sempre aos limites de textos lidos em teleprompters.

Hillary acena a partidários em Nova York

Hillary acena a partidários em Nova York

O debate ocorre depois de uma semana marcada pelos ataques terroristas em Nova York e New Jersey e protestos contra o assassinato de dois homens negros por policiais brancos na Carolina do Norte e em Oklahoma. Os dois temas deverão ser levantados pelo moderador do debate, o jornalista da rede NBC Lester Holt.

“Muitos eleitores não estão entusiasmados com nenhum dos candidatos, mas eles têm dúvidas particulares em relação ao preparo de Trump para ser presidente. Sua atuação no debate pode resolver essas dúvidas ou torná-las ainda mais profundas”, disse Cal Jillson, professor de Ciência Política da Southern Methodist University.

Esse será o primeiro debate em que Trump tem apenas um oponente, com o qual se enfrentará durante uma hora e meia. Primeira mulher a disputar a presidência dos EUA por um grande partido, Hillary já participou de 30 debates, mas sempre contra os democratas com os quais disputava a nomeação da legenda à presidência – Barack Obama, em 2008, e Bernie Sanders, na atual eleição.

Se o desafio de Trump é projetar uma imagem presidencial, o dela é parecer autêntica, humana e simpática. A democrata também terá de se comportar de uma maneira que dissipe dúvidas sobre sua saúde, depois da pneumonia que a retirou da campanha por três dias.

O consultor Geoffrey Kabaservice ressaltou que a aparência, os gestos e o comportamento dos candidatos no vídeo são quase tão relevantes quanto o que eles dizem. “O modelo para todos esses debates foi estabelecido pelo debate entre John F. Kennedy e Richard Nixon, em 1960, quando as pessoas que escutaram pelo rádio acharam que Nixon havia ganho, enquanto os que viram pela televisão acharam que Kennedy havia ganho, porque Nixon estava com uma aparência terrível”, disse Kabaservice, que é diretor de pesquisa da Republican Main Street Partnership, uma coalizão de 70 parlamentares republicanos.

Com propostas simples que podem ser traduzidas em slogans como “construir o muro”, Trump é uma celebridade televisiva que tem domínio do meio. Hillary possui autocontrole e conhecimento das propostas e questões que estão em jogo na campanha, mas muitas vezes ela se concentra em temas específicos e tem dificuldade de apresentar sua visão para os EUA de maneira abrangente.

Na opinião de Kabaservice, Hillary tem mais a perder no debate do que seu adversário, porque as expectativas em relação a ela são mais elevadas. “Enquanto as gafes de Trump e suas declarações loucas são ignoradas como parte do espetáculo, qualquer erro dela será visto como desqualificador”, avaliou. Além disso, observou, ela estará debatendo com a história, por ser a primeira mulher a disputar o cargo.

Pesquisa realizada em conjunto pelo Washington Post e a rede ABC News confirma a percepção de que Hillary enfrentará um maior grau de exigência dos eleitores: 44% disseram que ela deverá ganhar o debate, 10 pontos porcentuais a mais dos que apontaram Trump como possível vencedor. Ao menos 80% dos entrevistados pretendem assistir ao debate.

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