Hillary e Trump trocam farpas e comentários ácidos durante jantar de caridade

Hillary e Trump trocam farpas e comentários ácidos durante jantar de caridade

Candidatos à presidência dos EUA participaram do evento na noite de quinta-feira que cumpre uma tradição de décadas e provocaram um ao outro em discursos para público de mil pessoas

Redação Internacional

21 de outubro de 2016 | 09h18

NOVA YORK – Hillary Clinton e Donald Trump trocaram farpas e comentários ácidos, na quinta-feira, 20, durante um jantar de caridade realizado um dia depois do último debate antes das eleições americanas, marcadas para o dia 8 de novembro.

O evento, realizado no hotel Waldorf Astoria, cumpre uma tradição de décadas em convidar os candidatos presidenciais para um jantar de gala, onde permite refletir seu sentido de humor, mas desta vez coincidiu com a reta final de uma áspera campanha eleitoral repleta de choques entre Hillary e Trump.

Hillary acompanha discurso de Trump durante jantar de caridade em Nova York (FOTO: REUTERS/Carlos Barria)

Hillary acompanha discurso de Trump durante jantar de caridade em Nova York (FOTO: REUTERS/Carlos Barria)

Em um dos momentos, o republicano Trump falou para Hillary Clinton que era a primeira vez ela que falava com personalidades tão importantes “sem ser paga por isso”. E a democrata elogiou o cavalheirismo do republicano por lhe mandar um veículo para que a levasse ao jantar desta noite, porém, disse que se tratava de um “carro fúnebre”.

Os discursos dos dois candidatos presidenciais – o de Hillary durou mais tempo que o de Trump -, se referiram a várias situações que aconteceram durante a campanha e até aos comentários mais recentes feitos no debate presidencial de quarta-feira.

Tudo isso para um público de mil pessoas, no jantar de gala, onde a democrata e o republicano ficaram sentados muito próximos, separados apenas pelo arcebispo de Nova York, o cardeal Timothy Michael Dolan. Em outra ocasião, quando Hillary terminou seu discurso, os dois candidatos se cumprimentaram dando as mãos, mas friamente, como vem acontecendo nos últimos meses.

Entre as brincadeiras feitas por Trump, está o suposto convite feito por Hillary Clinton para que, caso ela vença as eleições, o magnata nova-iorquino se transforme em embaixador dos Estados Unidos no Iraque ou Afeganistão, citando os perigos a que estaria exposto nesses países.

Ele também lamentou que sua esposa Melania tenha recebido críticas por ter feito “o mesmo discurso” que a primeira-dama, Michelle Obama, enquanto esta última só recebeu elogios. Ele se referia a revelações que partes de um discurso feito por Melania Trump foram retiradas de outro feito anteriormente por Michelle.

Hillary Clinton reconheceu que não era conhecida por seu senso de humor, mas disse que sempre se destacou pelo bom espírito demonstrado nas festas que tinha participado, embora tenha reconhecido que só compareceu a apenas três.

Deixando as brincadeiras de lado, Trump chegou a chamar sua adversária de “corrupta”, tanto que “a tiraram da Comissão do Watergate”, o que gerou vaias de parte do público.

E Hillary Clinton provocou Donald Trump, dizendo que quando o povo reconhece na Estátua da Liberdade um símbolo que ilumina os imigrantes, o magnata republicano só vê um número “quatro”, fazendo alusão aos comentários machistas de Trump, avaliando o físico das mulheres entre um e dez. E, em caso que da estátua se desprender da tocha e da tábula, “e soltar o cabelo”, talvez chegaria a cinco pontos, acrescentou a candidata democrata, que lidera as pesquisas para as eleições.

Entre as brincadeiras feitas por Trump, ele disse que antes de chegar ao jantar tinha encontrado com Hillary nos corredores e ela lhe pediu desculpas. “Verei quando chegar na Casa Branca”, afirmou Trump, que dias atrás ameaçou com “colocar na prisão” sua rival, pelas irregularidades decorrentes do uso de um servidor de internet privado para seus e-mails quando era secretária de Estado.

O jantar de gala costuma servir para que os candidatos riam de si mesmos, e Trump, por exemplo, afirmou que sua melhor qualidade era a modéstia, quase “superando” seu temperamento. A candidata democrata, por sua vez, disse que o jantar interrompeu “seu rigoroso programa de sestas”, se referindo as algumas críticas de Trump, dizendo que ao invés de voltar para a campanha, estava descansando.

Ela garantiu, porém, que se chegar à Casa Branca será a mulher “mais jovem e com melhor saúde” que tenha alcançado tal posto. Hillary Clinton, se ganhar o pleito, se transformará na primeira mulher que ocupa a presidência dos Estados Unidos. / EFE

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