Hillary reage à controversa declaração de Trump sobre armas

Hillary reage à controversa declaração de Trump sobre armas

Para imprensa americana, declaração incita violência caso democrata seja eleita

Redação Internacional

09 Agosto 2016 | 19h32

WASHINGTON – Em um comício nesta terça-feira, 9, em Wilmington, na Carolina do Norte, Donald Trump deu uma declaração que, segundo jornais americanos, pareceu encorajar donos de armas a tomarem uma atitude caso a democrata Hillary Clinton seja eleita presidente dos EUA e escolha juízes para a Suprema Corte que se oponham ao direito de portar armas no país.

A campanha democrata reagiu imediatamente. Em um comunicado, afirmou que “uma pessoa que quer ser presidente dos EUA nunca deveria sugerir qualquer tipo de violência”.

Republican U.S. presidential nominee Donald Trump speaks to the Trask Coliseum at University of North Carolina in Wilmington, North Carolina, U.S., August 9, 2016. REUTERS/Eric Thayer

Trump, durante comício em Wilmington, Carolina do Norte. Foto: REUTERS/Eric Thayer

Trump disse que Hillary “quer essencialmente abolir a Segunda Emenda”, uma acusação que ela nega. Ele se referia ao artigo da Constituição americana que garante o direito dos americanos de portar armas de fogo. “A propósito, se ela escolher esses juízes, não há nada que vocês possam fazer, pessoal”, disse Trump. “Talvez a Segunda Emenda, gente, talvez haja. Eu não sei.”

De acordo com o Washington Post, não ficou claro se Trump estava incitando proprietários a usarem suas armas contra juízes, contra o presidente eleito ou encorajando outro tipo de ação.

O conselheiro de comunicação da campanha republicana, Jason Miller, também divulgou um comunicado à “mídia desonesta”, explicando o que Trump quis dizer, garantindo que não estava sugerindo qualquer forma de violência. “Isso se chama poder da unificação. As pessoas que defendem a Segunda Emenda não pessoas incríveis e tremendamente unidas, o que dá a elas um grande poder político”, afirmou.

Além do novo episódio, as intenções do republicano de recolocar sua campanha nos trilhos esbarraram hoje em uma nova onda de resistência dentro do partido, com o anúncio da senadora Susan Collins de que deixará de apoiá-lo. Senadora do Maine, Susan é a republicana mais veterana a retirar o apoio a Trump.

O anúncio foi um balde de água fria para a estratégia de angariar o voto feminino. A mensagem de Susan pode ainda mostrar a outros republicanos que não é seguro votar no candidato. “Donald Trump não reflete os valores históricos republicanos”, afirmou ela.

Uma das poucas republicanas moderadas no Senado, Susan revelou sua posição em um artigo no Post, afirmando também que não votará em Hillary. A decisão da senadora reforça um movimento anti-Trump que vem ocorrendo entre republicanos.

Uma reportagem de hoje do New York Times afirmou que doadores que contribuíram com candidatos do establishment republicano nas primárias estão mais inclinados a dar dinheiro a Hillary do que a Trump. Segundo a reportagem, Hillary recebeu cerca de US$ 2,2 milhões de doadores de candidatos que deixaram a disputa durante as primárias – US$ 600 mil a mais do que Trump.

Na segunda-feira, um grupo de 50 especialistas em defesa e segurança de seu próprio partido afirmou, em carta, que Trump representa uma ameaça à segurança dos EUA. Na carta, eles declaram que o bilionário seria o mais irresponsável presidente da história americana.

No mesmo dia, o republicano Evan McMullin anunciou sua candidatura independente à eleição presidencial para tentar impedir a vitória de Trump. Ex-agente da CIA, de 40 anos, McMullin era um assessor parlamentar da área de Segurança e Defesa do grupo republicano na Câmara. / W. POST, AP e EFE