Hillary se livra de investigação do FBI a dois dias de eleição

Hillary se livra de investigação do FBI a dois dias de eleição

Polícia federal diz que não vai apresentar qualquer acusação formal contra a democrata pelos e-mails trocados quando era secretária de Estado

Redação Internacional

06 de novembro de 2016 | 22h08

WASHINGTON – O FBI descartou neste domingo a possibilidade de apresentar qualquer acusação formal contra a candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton pelos e-mails trocados quando era secretária de Estado, deixando-a livre para voltar a focar na campanha, a pouco mais de um dia das eleições presidenciais de terça-feira.

“Nós nos alegramos de que este assunto tenha sido resolvido”, disse a jornalistas Jennifer Palmieri, encarregada de comunicações da campanha de Hillary, pouco após ser conhecida a decisão da polícia federal americana.

Em carta a vários legisladores, o diretor do FBI, James Comey, informou que a revisão de novos e-mails encontrados há uma semana não modificou a decisão que a entidade tomou em julho deste ano de não apresentar acusações formais contra Hillary por este episódio.

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton (Foto: AFP PHOTO / Robyn Beck)

Candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton (Foto: AFP PHOTO / Robyn Beck)

“Com base na nossa revisão, não modificamos as conclusões que já expressamos em julho com relação à (ex) secretária Clinton”, comunicou Comey ao grupo de legisladores, referindo-se a uma decisão já adotada este ano.

Em 28 de outubro, em carta similar ao mesmo grupo de parlamentares, Comey provocou um verdadeiro terremoto político em plena campanha, ao anunciar que o FBI tinha encontrado novos e-mails e que os peritos investigariam se os mesmos haviam passado pelo servidor privado que Hillary manteve quando foi secretária de Estado.

O anúncio literalmente caiu como uma bomba e obrigou Hillary e sua equipe a passar vários dias dando explicações sobre um escândalo que parecia ter sido superado.

O surgimento da nova crise coincidiu com uma mudança visível na tendência geral das pesquisas, que passaram a mostrar uma queda nos níveis de intenção de voto para Hillary e um progressivo fortalecimento do candidato conservador Donald Trump.

Uma pesquisa realizada pela rede NBC e pelo jornal Wall Street Journal, publicada neste domingo, atribui a Hillary uma vantagem de quatro pontos percentuais sobre Trump (44% e 40%), em uma consulta que incluiu os outros dois candidatos minoritários na disputa.

O especialista em pesquisas Nate Silver, do site especializado FiveThirtyEight, apontou que “se (Hillary) tem somente 44% das intenções de voto, isso significa de alguma forma que é vulnerável na maioria das regiões que ainda estão indefinidas”.

Em resumo, acrescentou, a apenas dois dias da campanha “alguém preferiria estar nos sapatos de Hillary do que nos de Trump, mas não é uma posição extraordinariamente segura”.

Neste domingo, durante ato de campanha em Minesota, Trump voltou a carga contra a classe política em geral, e alegou que Hillary enfrentaria “investigações por muito, muito tempo”.

Trump não deixou claro se tinha conhecimento da carta enviada por Comey este domingo aos legisladores, mas alertou seus eleitores: “devem entender que este é um sistema cheio de armadilhas e que ela (Hillary) está protegida”.

Hillary e Trump imprimiram um ritmo frenético à sua agenda, concentrada nos estados onde as consultas não indicam um claro favorito ou onde a disputa está mais apertada.

Entre domingo e segunda, Trump pretende realizar paradas em Iowa, Minesota, Michigan, Pensilvânia, Flórida, Carolina do Norte e New Hampshire, estados considerados fundamentais para conseguir a vitória na terça-feira.

Neste domingo, Hillary visitou uma igreja em um bairro de maioria negra na Filadélfia. “Cada hora e cada minuto contam. Não podemos errar. Muitas coisas estão em jogo”, disse ela a seus simpatizantes.

A ex-secretária de Estado, que no sábado obteve o apoio de estrelas como Beyoncé e Katy Perry, anunciou que o lendário roqueiro Bruce Springsteen também estará com ela no palco na segunda-feira, véspera das eleições.

Neste domingo, a ex-secretária de Estado também tinha na agenda retornar a Cleveland, Ohio, pela quarta vez em 17 dias para fazer campanha pela mão do astro do basquete LeBron James.

O ritmo frenético das duas campanhas é reflexo deste cenário, muito mais disputado do que Hillary e Trump querem admitir.

A disputa acirrada convenceu a equipe da ex-secretária de Estado a encerrar a campanha na segunda-feira com as cartas mais pesadas que tem na manga: ela levará ao palco seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, acompanhado do atual presidente, Barack Obama, e sua extraordinariamente popular esposa Michelle.

A tensão neste segmento final da campanha se tornou evidente na noite de sábado, quando foi registrada uma confusão em um ato de campanha de Trump e o candidato foi retirado rapidamente do palco por agentes do Serviço Secreto.

O incidente ocorreu quando um homem com um cartaz que dizia “Republicanos contra Trump” foi agredido por seguidores do candidato. O homem foi detido e posteriormente liberado, ao ser constatado que não portava nenhuma arma de fogo.

No entanto, um dos filhos de Trump mencionou na rede social Twitter que seu pai havia sido alvo de uma “tentativa de assassinato”. / AFP

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