Hillary vence em votação simulada em bar de Paris

Hillary vence em votação simulada em bar de Paris

A “votação” é feita com cédulas fictícias e só expatriados ou turistas americanos munidos de passaporte ou carteira de motorista americana podem depositar seus “votos”

Redação Internacional

08 de novembro de 2016 | 21h43

Andrei Netto
Correspondente / Paris

Hillary Clinton foi eleita no mais tradicional ponto de concentração de expatriados americanos em Paris – ao menos em noites eleitorais. O Harry’s Bar, situado na região central da capital da França, realizou nas últimas semanas uma votação simbólica entre seus clientes para apurar uma tendência política, como faz desde 1924. O resultado: vitória da democrata por 404 votos. O republicano Donald Trump obteve 150 votos.

A “votação” é feita com cédulas fictícias e só expatriados ou turistas americanos munidos de passaporte ou carteira de motorista americana podem depositar seus “votos”. A primeira a votar foi a própria embaixadora dos EUA na França, Jane Hartley, em 5 de outubro. Outros 700 já teriam votado, mas a última parcial era de sexta-feira – daí o total inferior. O resultado final seria revelado na noite de ontem, mas não mudaria a clara vitória da democrata na eleição simulada em Paris.

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Segundo os funcionários do bar, a vitória de Hillary está em sintonia com o que se esperava dos eleitores americanos que vivem ou passam férias na França. “Os expatriados e turistas que vivem na França tendem a votar nos democratas. Hillary sempre esteve à frente desde o lançamento da votação”, diz Gilles Chauvin, que há 32 anos trabalha no bar.

Na noite de ontem, o acesso ao Harry’s Bar foi limitado pela direção. Jornalistas precisaram passar por um processo de credenciamento, de forma que os clientes não fossem perturbados. No final da noite, o bar já estava cheio na expectativa do resultado, que seria acompanhado em tempo real.

Desde 1924, o resultado da eleição no bar coincide com o nome do vencedor, com duas únicas exceções: em 1976, quando Jimmy Carter venceu, e em 2004, quando George W. Bush derrotou John Kerry, o favorito dos “americanos-parisienses”. Vizinho do bar, o presidente François Hollande fez nova declaração sugerindo apoio à democrata. “Confio em que a população americana saiba a opção que corresponde melhor aos valores, aos princípios, à liberdade e à relação com a França e a Europa.”

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