Hillary volta à campanha e admite que disputa com Trump será ‘apertada’

Após 4 dias de ausência para tratar de uma pneumonia, candidata à presidência dos EUA afirma que demorou para revelar a doença ao público por imaginar que estaria curada logo; pesquisas mostram queda da vantagem em relação ao republicano

Redação Internacional

16 de setembro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Depois de uma ausência de quatro dias, Hillary Clinton retomou ontem a campanha eleitoral pela presidência dos EUA e se empenhou em convencer os americanos de que seu estado de saúde é bom, apesar da pneumonia que a levou a desmaiar em público no domingo.

A candidata democrata voltou à atividade no momento em que pesquisas eleitorais mostram redução de sua vantagem em relação ao republicano Donald Trump, que assumiu a liderança em alguns Estados cruciais da disputa. Levantamento nacional divulgado ontem pelo New York Times mostrou a ex-secretária de Estado com 46% das intenções de voto, dois pontos porcentuais à frente do bilionário.

Em declarações após o comício de ontem, Hillary reconheceu que sua campanha deveria ter sido mais ágil em revelar o diagnóstico de pneumonia. A candidata também tratou como previsível a recente trajetória das pesquisas eleitorais. “Eu sempre disse que seria uma disputa apertada.”

Levantamento divulgado pela agência Bloomberg anteontem mostrou Trump com uma liderança de cinco pontos em Ohio, outro “Estado-pêndulo” crucial. Pesquisa da CNN colocou Trump à frente na Flórida, que tem o terceiro maior número de representantes no colégio eleitoral.

“Faltando apenas dois meses para o dia da eleição, ficar sentada em casa era o último lugar em que eu gostaria de estar”, disse Hillary, que recebeu o diagnóstico de pneumonia na sexta-feira, mas só revelou a condição no domingo. “Eu achei que ficaria boa e que não havia razão para fazer um grande estardalhaço em torno disso”, justificou.

A demora em anunciar a doença acabou reforçando a imagem de falta de transparência que muitos eleitores associam à candidata e pode ter influenciado em parte o resultado de pesquisas recentes. Na sexta-feira, Hillary teve outro deslize ao afirmar que metade dos eleitores de Trump são “deploráveis” por promoverem ideias xenófobas e racistas.
O primeiro evento de campanha depois do descanso forçado foi realizado na Carolina do Norte, um dos “Estados-pêndulo” que oscilam entre os partidos Democrata e Republicano nas eleições presidenciais. Hillary subiu ao pódio ao som do refrão “I Feel Good”, de James Brown. No dia anterior, sua médica havia dito que a candidata se mantinha “saudável e pronta para servir”.

Números. A média das pesquisas nacionais calculada pelo site RealClearPolitics mostra que a vantagem da democrata em relação ao republicano caiu de 6 pontos porcentuais no fim de agosto para menos de 2 pontos porcentuais ontem.

Ainda assim, a probabilidade de a democrata vencer em novembro varia de 62% a 75%, de acordo com diferentes previsões baseadas em pesquisas nacionais e estaduais. Isso é consequência do sistema eleitoral americano, no qual o resultado da disputa é definido pelo colégio eleitoral, e não pelo voto popular.

Se a eleição fosse hoje, Hillary teria garantidos 228 dos 538 votos no colégio eleitoral, segundo estimativa do New York Times, 42 a menos que os 270 necessários para garantir a vitória. Trump teria 164. Outros 146 estariam indefinidos.

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