Impacto de Trump no Senado preocupa

Republicanos esperam que candidato à Casa Branca não ‘arraste’ as campanhas locais em caso de derrota

Redação Internacional

01 de novembro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
Correspondente / Washington

Candidato ao Senado americano por Missouri, o democrata Jason Kander decidiu promover sua candidatura com um vídeo no qual monta um fuzil AR-15 com os olhos vendados. Seu objetivo era contrapor críticas de seu adversário, o republicano Roy Blunt, à sua defesa de regras mais rígidas para a venda de armas.

Logo depois da veiculação do anúncio, no mês passado, Kander subiu nas pesquisas e se transformou em uma das esperanças dos democratas de retomar a maioria no Senado, perdida na eleição de 2014.

O controle da Casa será crucial para moldar o perfil da sociedade americana por um período que ultrapassará o mandato do sucessor do presidente Barack Obama: é por lá que passam as indicações para os juízes da Suprema Corte, a instituição que decide questões fundamentais do país – entre elas, aborto, casamento gay, financiamento de campanhas e porte de armas.

A expectativa é a de que o próximo ocupante da Casa Branca possa indicar titulares para duas ou três das nove cadeiras do Tribunal. Além de Missouri, as pesquisas mostram disputas acirradas em outros cinco Estados. Para retomar o controle do Senado, os democratas precisam ter um ganho líquido de cinco cadeiras – ou quatro, caso Hillary Clinton seja eleita presidente. Neste cenário, eles teriam 49 votos, o mesmo número dos republicanos, mas o voto de Minerva seria do candidato democrata a vice-presidente, Tim Kaine. Outras 2 das 100 cadeiras serão ocupadas por independentes que votam com os democratas.

Até sexta-feira, os republicanos estavam em pânico diante da possibilidade de uma eventual derrota de Donald Trump por uma grande margem arrastar integrantes do partido que buscam a reeleição no Senado. Mas a legenda ganhou fôlego com o anúncio do FBI de que analisará e-mails da principal assessora da candidata democrata, Huma Abedin.

Segundo projeção do New York Times, os democratas tinham ontem 58% de chance de conquistar a maioria no Senado. Uma semana antes, o porcentual era de 67%. A Suprema Corte está com uma de suas nove cadeiras sem titular desde fevereiro, quando morreu o mais conservador integrante do tribunal, Antonin Scalia. A maioria republicana no Senado se recusou a votar a indicação de Obama para o cargo, na esperança de que Trump vença a disputa presidencial e possa escolher um juiz conservador.

 

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