Imprevisível e provocador, Trump passou candidato improvável a presidente eleito do EUA

Imprevisível e provocador, Trump passou candidato improvável a presidente eleito do EUA

Candidato republicano se mostrou como um herói da classe trabalhadora americana

Redação Internacional

09 de novembro de 2016 | 10h31

Quando o empresário Donald J. Trump anunciou em junho de 2015 a intenção de disputar a presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, poucas pessoas o levaram a sério.

Impulsivo, excessivo e com um ego gigantesco, Trump desafiou todas as previsões e surpreendeu o mundo na madrugada desta quarta-feira ao se tornar o sucessor do presidente Barack Obama na Casa Branca.

Donald Trump acumulou polêmicas durante sua campanha presidencial nos Estados Unidos (Foto: Jim Watson/ AFP)

(FILES) This file photo taken on February 19, 2016 shows Republican presidential candidate Donald Trump speaks during a campaign rally in North Charleston, South Carolina.
Donald Trump acumulou polêmicas durante sua campanha presidencial nos Estados Unidos (Foto: Jim Watson/ AFP)

Com discursos corrosivos que encontram ressonância nas frustrações e inseguranças dos americanos em um mundo em mutação, o magnata republicano de 70 anos foi a voz da mudança para milhões de cidadãos.

Antes de iniciar a campanha, o empresário era mais conhecido por sua imensa fortuna, por seus hotéis luxuosos, campos de golfe e cassinos que levam seu sobrenome, assim como por seus divórcios que ganharam espaço na imprensa sensacionalista e por ser o apresentador do reality show “O Aprendiz”.

Tudo isso o tornou uma figura conhecida nas residências americanas.

Mas Trump demonstrou ser um formidável animal político, um herói improvável da classe trabalhadora, com a promessa de “tornar os Estados Unidos grandes de novo”.

Imprevisível. Na campanha, Trump demonstrou a capacidade de dizer tudo, realmente tudo, o que pensa. Denunciou um sistema político “manipulado” e acusou funcionários de “corruptos”. Também afirmou que a imprensa, em sua opinião, “envenena o espírito dos americanos”.

Apresentou soluções simples para problemas complexos: para deter a imigração clandestina pretende construir um muro na fronteira mexicana, que seria pago pelo México. Trump anunciou a intenção de expulsar 11 milhões de pessoas que vivem ilegalmente no país, em sua maioria latino-americanos. E prometeu devolver empregos aos Estados Unidos renegociando acordos comerciais internacionais.

Para prevenir ataques, defendeu a proibição de entrada no país de imigrantes procedentes de nações com “uma história comprovada de terrorismo”, depois de ter afirmado que rejeitaria todos os muçulmanos. Ele é considerado arrogante, carismático, rude e, às vezes, simpático. E, apesar de suas contradições e do incômodo demonstrado nos três debates presidenciais, seus seguidores querem acreditar nele.

Provocador. Ainda mais porque Trump – que desembolsou US$ 56 milhões (R$ 178,2 milhões) da própria fortuna para financiar sua campanha – parece a seus simpatizante incorruptível ante Hillary Clinton, ligada a Wall Street e odiada por boa parte da população. O apelido que Trump atribuiu à rival democrata, “Crooked Hillary” (algo como “Hillary Desonesta”), pegou e atingiu em cheio seu objetivo.

Durante a campanha, ele insultou mulheres, muçulmanos, latinos e afastou os negros.

À margem de seu perfil político, sua vida privada é marcada pelo luxo. Sua esposa Melania, uma ex-modelo eslovena de 46 anos, dedica seu tempo a criar, longe da imprensa e da curiosidade pública, o filho do casal, Barron, de 10 anos.

O casal mora em uma cobertura triplex na Trump Tower de Manhattan – quase um mini palácio – e viaja em um Boeing 757 particular, com seu sobrenome estampado em letras gigantes. Os filhos mais velhos, Ivanka, Donald Jr, Eric e Tiffany, são os seus principais pilares. Todos se envolveram ao máximo na campanha do pai, a quem defendem até o fim.

Com seu famoso cabelo louro, sempre de terno, provoca fascínio e horror, dependendo de quem o analisa.

Durante a campanha, as pessoas responsáveis por verificar fatos detectaram várias mentiras de Trump, sobre os mais variados temas.

Quando várias mulheres o acusaram de comportamento inapropriado e gestos sexuais, chamou todas de mentirosas. Trump não é exatamente inflexível em sua ideologia: foi democrata até 1987, depois republicano (1987-1999), membro do Partido da Reforma (1999-2001), democrata outra vez (2001-2009) e novamente republicano.

Nascido em Nova York, Donald Trump é o quarto de cinco filhos de um promotor imobiliário nova-iorquino. Foi enviado a uma escola militar para tentar acalmar seu temperamento explosivo.

Depois de estudar Administração, passou a trabalhar na empresa familiar. Seu pai o ajudou com o que Trump chamou de “pequeno empréstimo de US$ 1 milhão”.

Ele assumiu o controle do negócio familiar em 1971 e impôs sua marca. Se o seu pai construía apartamentos para a classe média, ele preferiu as torres luxuosas, os hotéis cassinos e os campos de golfe, de Manhattan a Mumbai.

Além disso, Trump é apaixonado pelo mundo do entretenimento: gosta da luta livre e até 2015 foi coproprietário dos concursos Miss Universo e Miss Estados Unidos. De 2004 a 2015 apresentou o programa “O Aprendiz”, que era assistido por dezenas de milhões de telespectadores.

Em sua carreira, apresentou e foi alvo de dezenas de processos civis vinculados a seus negócios. O agora presidente eleito se negou a divulgar sua declaração de impostos – uma tradição para os candidatos à Casa Branca – e reconheceu a contragosto que não pagou impostos federais durante anos, depois de ter declarado uma perda colossal de US$ 916 milhões em 1995 (R$ 2,914 bilhões, na cotação atual).

“Isto faz de mim uma pessoa inteligente”, disse Trump repetiu durante a campanha que tem um programa “fenomenal” para seus primeiros 100 dias na Casa Branca. /AFP

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