Indecisos viram alvo de debate nos EUA

Indecisos viram alvo de debate nos EUA

Sondagem estima em 11% a parcela de eleitores que ainda não definiu candidato

Redação Internacional

26 de setembro de 2016 | 21h29

Cláudia Trevisan
Correspondente / Washington

O resultado do primeiro debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, previsto para a noite desta segunda-feira, pode não definir a eleição, mas influenciará a posição de uma parcela importante dos americanos que continua em dúvida sobre seu voto ou não está entusiasmada com nenhum dos dois candidatos.

Pesquisa do Wall Street Journal/NBC News estimou em 11% o porcentual dos eleitores que podem optar por um dos candidatos ou mudar de posição em razão da performance no primeiro dos três embates que Hillary e Trump terão até novembro. Esse é o universo de pessoas que tendem a votar em um terceiro candidato ou estão pouco comprometidas com os dois líderes da disputa.

Mulher posa com a camiseta oficial diante de cartaz promovendo o debate entre Hillary e Trump

Mulher posa com a camiseta oficial diante de cartaz promovendo o debate entre Hillary e Trump

Em levantamento do Washington Post/ABC News, 6% dos entrevistados disseram que havia uma “boa chance” de eles mudarem seus votos em razão da atuação dos candidatos no primeiro debate presidencial.

Com uma exposição de décadas perante a opinião pública americana, Hillary e Trump estão entre os mais conhecidos nomes que já disputaram a presidência dos EUA. Mas antes do embate de ontem, eles não haviam aparecido lado a lado para discutir suas propostas e contrastar suas personalidades em tempo real.

Com base no interesse demonstrado por eleitores em pesquisas, analistas esperavam que a audiência do debate superasse o recorde estabelecido em 1980, quando 80 milhões de pessoas assistiram o confronto entre o democrata Jimmy Carter e o republicano Ronald Reagan. Muitos acreditavam que a cifra poderia chegar a 100 milhões, uma audiência comparável à da final do campeonato de futebol americano.

O potencial impacto do debate aumentou nos últimos dias, quando uma série de pesquisas mostrou o acirramento da disputa. A média dos levantamentos recentes calculada pelo site RealClearPolitics dá uma vantagem de 2,3 pontos porcentuais para Hillary, o que está dentro da margem de erro.
Os dois outros candidatos na disputa ficaram fora do debate por não obterem o mínimo de 15% nas pesquisas exigido pelos organizadores: Gary Johnson, do Partido Libertário, e Jill Stein, do Partido Verde.

No levantamento do Washington Post/ABC News, divulgado domingo, Hillary obteve 46% dos votos entre potenciais eleitores em um cenário que considera os quatro candidatos. Trump apareceu com 44%, 2 pontos abaixo. Johnson teve 5% e Stein, 1%. Quando só os dois primeiros colocados foram considerados, Hillary teve 49% e o adversário, 47%.

Para muitos especialistas, a linguagem corporal e o comportamento dos candidatos durante o debate têm tanto ou mais influência sobre os eleitores do que a substância do que eles falam durante o confronto.

“A possibilidade de algo ocorrer no debate que afete o que as pessoas pensam tem mais a ver com o caráter e a personalidade dos candidatos do que com as propostas que eles podem apresentar”, disse Scott Bland, editor do Campain Pro, um serviço dedicado à campanha presidencial do Politico, veículo que tem uma das mais respeitadas coberturas políticas dos Estados Unidos.

Segundo Bland, a janela de oportunidade para os candidatos convencerem os eleitores indecisos começou a se fechar. Em alguns Estados, como a Carolina do Norte, eleitores já começaram a receber cédulas para votar antecipadamente pelo correio, observou.

Apesar do empate nas pesquisas nacionais, Hillary lidera a contagem do número de representantes no Colégio Eleitoral, que são definidos de acordo com o resultado da disputa em cada Estado. Pesquisa Ipsos/Reuters divulgada ontem mostrou que a democrata teria 259 delegados se a eleição fosse realizada agora – 11 a menos que os 270 necessários para a vitória. Trump conseguiria 191. A diferença de 88 representantes que os separa está nos chamados Estados-pêndulo, que alternam a preferência por candidatos democratas e republicanos. É neles que a eleição de novembro será decidida.

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