Indicado para a agência ambiental passou anos processando a EPA

Indicado para a agência ambiental passou anos processando a EPA

Scott Pruitt teve crescimento profissional com auxílio de empresas acusadas de delitos ambientais

Redação Internacional

16 Janeiro 2017 | 05h00

WASHINGTON – Uma luta legal pela limpeza de dejetos de frango que poluíam as águas do nordeste de Oklahoma estava em andamento havia seis anos, quando o advogado conservador Scott Pruitt se tornou o procurador-geral do Estado. Sua reposta: desacelere a ação.

Em vez de pressionar o juiz federal para punir as companhias, o novo procurador fez um acordo às escuras para prolongar o estudo do caso. O movimento ocorreu depois de Pruitt ter conseguido centenas de dólares em campanhas de contribuições de executivos e advogados da indústria avícola.

FILE -- Scott Pruitt, Donald TrumpÕs nominee to serve as head of the Environmental Protection Agency, visits Sen. Shelley Capito (R-W.Va) at her office in Washington, Jan. 4, 2017. As the attorney general of Oklahoma, PruittÕs antipathy for federal regulation in many ways defined his tenure, frequently suing to block regulations that he would now be expected to enforce if confirmed. (Doug Mills/The New York Times)

Scott Pruitt, nomeado por Trump para assumir a Agência de Proteção Ambiental. (Foto: Doug Mills/The New York Times)

Essa foi uma das vezes em que Pruitt colocou a cooperação com as indústrias na frente enquanto tentava conter o impacto das políticas ambientais federais em seu Estado. Sua antipatia pela regulação federal – ele processou a Agência de Proteção Ambiental 14 vezes – de certa forma definiu seu mandato como procurador.

Agora, Pruitt, escolhido pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para liderar a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), poderá realizar uma grande mudança em Washington.

Se sua nomeação for confirmada pelo Senado, Pruitt deve deixar de lado a abordagem ambiental agressiva da gestão Barack Obama e adotar uma mais colaborativa com as indústrias processadas pela agência, muitas das quais tiveram papel na evolução da carreira de Pruitt.

O impacto da nomeação recai também sobre questões do clima já que a EPA impõe e executa normas do combate ao aquecimento global.

“Ele defendeu e concorda com os lucros das empresas, sejam companhias avícolas ou do setor de energia, à custa das pessoas que bebem a água ou respiram o ar contaminado”, afirma Mark Derichsweiler, que liderou o setor do Departamento de Qualidade Ambiental de Oklahoma, responsável pela supervisão da limpeza relacionada com aves. Em 2015, ele se aposentou após 40 anos trabalhando para o Estado, frustrado com a nomeação de Pruitt, que não comentou a decisão.

Pessoas que apoiam Pruitt afirmam que sua experiência prova a filosofia de que os Estados entendem melhor suas necessidades e deveriam ter a permissão de ter uma regulação ambiental própria, sem depender do governo federal.

Se confirmado no cargo, Pruitt assumirá a EPA com uma posição ímpar: passou os últimos sete anos processando a agência para bloquear regulamentações. Alguns analistas dizem que ele deveria recusar o cargo. / NYT

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