Irã diz ter opções caso acordo nuclear fracasse

Irã diz ter opções caso acordo nuclear fracasse

Sob fortes protestos de Israel e do Partido Republicano americano, EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Rússia, os chamados G5+1, assinaram em julho de 2015 um importante acordo com o Irã

Redação Internacional

11 de novembro de 2016 | 05h00

BRATISLAVA – O Irã quer que todas as partes continuem comprometidas com o acordo nuclear internacional assinado no ano passado, mas possui opções caso isso não ocorra, afirmou nesta quinta-feira, 10, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif.

“É claro que as opções do Irã não são limitadas, mas nossa esperança e nosso desejo e nossa preferência é de total implementação do acordo nuclear, que não é bilateral para que um lado possa descartar”, disse Zarif durante entrevista coletiva em Bratislava após encontro com o chanceler da Eslováquia, Miroslav Laica.

The Foreign Minister of the Islamic Republic of Iran, Mohammad Javad Zarif addresses the media after a meeting with his Romanian counterpart (not in picture) at the Romanian Foreign Ministry in Bucharest November 9, 2016. / AFP PHOTO / DANIEL MIHAILESCU

Foto: Daniel Mihailescu/AFP

Sob fortes protestos de Israel e do Partido Republicano americano, EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Rússia, os chamados G5+1, assinaram em julho de 2015 um importante acordo com o Irã. O governo iraniano comprometeu-se a não enriquecer urânio para a produção de armas nucleares e a aceitar inspeções completas em suas instalações. Em troca, após o cumprimento das condições do pacto, as sanções econômicas e financeiras impostas a Teerã desde o final da década de 1970 seriam progressivamente suspensas.

Na quarta-feira, o presidente iraniano, Hassan Rohani, afirmou que o resultado das eleições americanas “não terá influência” nas políticas do Irã, uma vez que Washington “não pode” romper o acordo nuclear por se tratar de uma resolução das Nações Unidas.

O presidente explicou que o acordo “é uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, que não é mutável pela decisão de um governo”, segundo noticiou a agência oficial iraniana de notícias Irna. “Os Estados Unidos não têm, como fizeram no passado, capacidade de utilizar a ‘iranofobia’ e criar um consenso internacional contra o Irã”, disse o presidente iraniano.

Rohani acrescentou que “a política da República Islâmica do Irã na interação construtiva com o mundo e a ruptura das sanções nucleares fez com que os laços econômicos do Irã com o restante da comunidade internacional entrassem em uma via crescente e irreversível”.

Além disso, o presidente iraniano disse que “a posição dos Estados Unidos perdeu força na comunidade internacional e na opinião pública do mundo, em razão de suas políticas equivocadas” ao longo dos tempos.

Em seu único discurso sobre política externa, em abril, Trump insistiu na vantagem do “elemento surpresa”. Questionado em janeiro sobre as instalações nucleares do Irã, e se as atacaria ou confiaria no acordo negociado para mantê-las, ele também foi vago. “Quero ser imprevisível”, disse Trump, insistindo que os eleitores deveriam apoiar seu peculiar estilo.

Ainda hoje, o chefe de Estado-maior das Forças Armada, general Mohammad Hossein Bagheri, criticou Trump pelas duras palavras utilizadas no passado sobre confrontar navios iranianos no Golfo Pérsico. “A pessoa que recentemente chegou ao poder, tem falado o que lhe vem à cabeça! Ameaçando o Irã no Golfo Pérsico só pode ser uma piada”, disse, segundo uma das agências oficiais iranianas Fars. / REUTERS e EFE 

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