Local do debate ajuda explicar ascensão de Trump

Local do debate ajuda explicar ascensão de Trump

O que Long Island mostra é que, além de questões como terrorismo e emprego, esta eleição é também sobre o que significa ser branco e americano

Redação Internacional

26 de setembro de 2016 | 20h42

Lúcia Guimarães
Correspondente/Nova York

O auditório da Hofstra University, anfitriã do debate entre Hillary Clinton e Donald Trump fica numa região de Nova York que ajuda a explicar a ascensão do candidato republicano. O Estado deverá dar a maioria dos votos a Hillary, mas os dois municípios a leste de Nova York, na ilha de Long Island, passaram por enorme transformação nos últimos 20 anos. Juntos, os municípios de Nassau, onde fica Hofstra, e Suffolk, ao leste, onde está a abastada região dos Hamptons, somam quase 3 milhões de habitantes.

No período do pós-guerra, especialmente nas décadas de 1950 e 1960, a Long Island suburbana era uma utopia de casas com jardins, onde a classe média alta que trabalhava em Manhattan floresceu. A população era mais de 90% branca. Agora, um terço da população é composta por minorias, com grande influxo de trabalhadores hispânicos e asiáticos.

Cheerleaders pose with a sign before US Democratic presidential nominee Hillary Clinton and her Republican counterpart Donald Trump take part in the first presidential debate at the Hofstra University, in Hempstead, New York, on September 26, 2016. Hillary Clinton and Donald Trump prepared to square off Monday in their first presidential debate -- a keenly awaited clash that comes as they sit nearly neck and neck in the polls. / AFP PHOTO / Jewel SAMAD

Cheerleaders com placa do debate de hoje. Foto: Jewel Samad/AFP

Fábricas como a Northrop Grumman, da indústria de defesa, davam emprego sólido a operários que conheceram a estabilidade da vida de classe média, com boas escolas e baixa criminalidade.

Desde 1988, quando deu maioria a George Bush pai, Long Island não escolhe um republicano para presidente. Isto pode mudar este ano. O município de Nassau, mais próximo a Nova York, era dois terços republicano nos anos 1970. Agora, é três quartos democrata.

Um político local, que não quis se identificar, afirmou a um repórter de rádio que Long Island está “Trumpy and grumpy.” Ou seja, está descontente e se voltando para Donald Trump. Mas a ilha de Long Island ainda está longe de exibir os males econômicos e sociais encontrados em outras regiões pró-Trump nos Estados Unidos. Não se vê na área manifestações agressivas de racismo como em outras áreas.

O que Long Island mostra é que, além de questões como terrorismo e emprego, esta eleição é também sobre o que significa ser branco e americano.

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