Longe da família para viver o sonho americano

Longe da família para viver o sonho americano

Alguns dos brasileiros que estão nos EUA há anos não visitam a família com medo de não poderem retornar aos EUA

Redação Internacional

19 de novembro de 2016 | 22h00

Cláudia Trevisan
Enviada Especial / Boston, EUA

Quando Donald Trump ganhou a eleição presidencial, Adrielle da Silva viu ameaçado seu projeto de estudar Direito em São Paulo. O dinheiro para pagamento das mensalidades será garantido por sua mãe, Karla da Silva, que todos os meses manda ao Brasil parte do que ganha como trabalhadora doméstica em Boston.

“Todo mundo está em pânico. Minha filha e minha mãe no Brasil dependem de mim”, disse Karla, que conseguiu comprar uma casa para ambas morarem. A brasileira não vê a filha e a mãe há sete anos, quando se mudou para os EUA. Em situação irregular, ela não pode sair do país, já que não conseguiria retornar. Adrielle tentou ir para Boston, mas o visto foi negado.

O mesmo drama da separação familiar é vivido por milhares de outros brasileiros que embarcaram na busca do sonho americano. O faxineiro Sebastião de Souza saiu de Governador Valadares (MG) em 1999 rumo a Boston e nunca mais voltou. Nesse período, nasceram dois de seus cinco netos. Os três que ele havia conhecido se tornaram adultos.

Há nove anos nos EUA, Gerson Santos é conservador e simpático ao Partido Republicano. Foto: Cláudia Trevisan/Estadão

Há nove anos nos EUA, Gerson Santos é conservador e simpático ao Partido Republicano. Foto: Cláudia Trevisan/Estadão

Gerson Santos está há nove anos nos EUA, seis dos quais em Framingham, imediações de Boston, onde trabalha em uma empresa de decoração de festas de casamento e tem um pequeno negócio de importação e exportação. Desde que chegou ao país, não reviu a família nem pôde ir aos funerais do avô e de tios.

Mas em contraste com a maioria dos brasileiros da região, Santos é simpático a Donald Trump. “Se eu fosse americano, votaria nele.” O brasileiro lembrou que Barack Obama foi o presidente que mais deportou imigrantes – 2,5 milhões de 2009 a 2015 – e não conseguiu cumprir sua promessa de regularizar a situação dos ilegais. Otimista, crê que Trump aproveitará a maioria no Congresso para fazer o que Obama não conseguiu: aprovar reforma que regularize a situação dos imigrantes.

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