Maioria dos europeus tem visão negativa de Trump

Pesquisa revela que, na Alemanha e no Reino Unido, metade doshabitantes teme um governo do magnata republicano

Redação Internacional

08 de novembro de 2016 | 05h00

Jamil Chade
Andrei Netto
CORRESPONDENTES / PARIS E GENEBRA

Nos principais países europeus, o candidato republicano Donald Trump é visto negativamente pela maioria da população. Uma sondagem feita pelo instituto YouGov na Alemanha, França, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega e Reino Unido deu a dimensão dessa rejeição.  Mais da metade dos adultos afirmaram “temer” um eventual governo do candidato republicano. Essa taxa chegou a 65% na Alemanha e 58% no Reino Unido.

Para o cientista político americano Nicolas Dungan, diretor de pesquisas no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris), de Paris, e do Atlantic Council, de Washington, a eleição marca também o fim de uma era geopolítica. “A doutrina Obama vai acabar com o fim de seu governo. A política externa dos EUA, que consiste em não intervir no exterior sozinho, acaba agora”, explicou ao Estado. “Os dois, Hillary e Trump, são produtos da Guerra Fria. Trump é ‘América em primeiro lugar’. Ele vai primeiro analisar se está o que está em jogo é do interesse dos Estados Unidos. Hillary é mais intervencionista e crê que os EUA devem ser a força incontornável no mundo.”

Hillary acompanha discurso de Trump durante jantar de caridade em Nova York (FOTO: REUTERS/Carlos Barria)

Hillary acompanha discurso de Trump durante jantar de caridade em Nova York (FOTO: REUTERS/Carlos Barria)

Para Dungan, nenhum dos candidatos tem as respostas para os temas que mais preocupam a União Europeia: a guerra na Ucrânia, a estabilidade da Europa Central, a relação com a Rússia e o Oriente Médio, em especial o triângulo Turquia-Irã-Arábia Saudita. “Os desacordos entre europeus e americanos só podem se aprofundar, em qualquer um dos casos. Se Hillary vencer, ela vai falar bem, mas não veremos um novo leadership americano que seja aceito por todos”, entende.

Para Laurence Nardon, pesquisadora responsável do programa América du Norte do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), a vitória da candidata democrata é de longe a preferida, mas com inconvenientes. “A vitória de Hillary Clinton conviria muito bem aos europeus, já que ela conhece todos os dirigentes e os códigos da diplomacia americana, que compartilha os mesmos valores da Europa”, entende. “Mas ela tem uma visão de política externa muito mais intervencionista do que a de Obama ou Trump.”

Nas entidades internacionais, os alertas também têm sido cada vez mais claros sobre o impacto internacional de uma eventual vitória do republicano, mesmo sem citar o nome do candidato. Na Organização das Nações Unidas (ONU), a perspectiva de uma vitória de Trump mobilizou diversos departamentos.

Há duas semanas, Zeid Al-Hussein, alto comissário da ONU para Direitos Humanos, alertou que uma vitória do republicado constituiria “um perigo”.

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