Mais de 27 milhões de pessoas votaram de forma antecipada nas eleições americanas

Mais de 27 milhões de pessoas votaram de forma antecipada nas eleições americanas

Ao mesmo tempo em que a apuração antecipada indica que democratas compareceram mais do que republicanos em alguns Estados, o comparecimento ainda é menor entre jovens e negros, grupos que foram importantes na vitória de Barack Obama em 2008

Redação Internacional

03 de novembro de 2016 | 14h32

CHICAGO, EUA – Mais de 27 milhões de pessoas já votaram de forma antecipada nas eleições americanas, uma tendência que oferece algumas pistas sobre o resultado da votação do dia 8 de novembro. Para a candidata democrata, Hillary Clinton, há boas e más notícias na disputa contra o republicano Donald Trump.

A apuração da votação antecipada indica que os democratas comparecem em maior número que os republicanos às urnas em alguns Estados, algo que de acordo com os analistas favorece a ex-secretária de Estado. Mas o comparecimento é menor entre os jovens e os negros, grupos demográficos importantes na vitória do presidente Barack Obama em 2008.

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Adesivos com mensagens como “Vote antecipadamente hoje” tentam incentivar americanos a irem às urnas antes do dia 8 de novembro (Foto: AP Photo/Matt Rourke)

Chicago, cidade de adoção do presidente e a terceira maior do país, é um exemplo do que acontece em âmbito nacional. Na região, o número de participantes na votação antecipada é similar ou até mesmo superior à registrada em 2012, quando o primeiro presidente negro da história dos EUA foi reeleito.

Mesários afirmam que os locais de votação ficam cheios no horário do almoço. “É muito importante para seguir com o que Obama começou”, disse a democrata Deborah Land, de 61 anos, perto de um local de votação antecipada no centro da cidade.

O sentimento deveria ajudar Hillary, que faz campanha como a herdeira de Obama e guardiã de seu legado. Ela foi uma dura rival do presidente nas primárias democratas de 2008, mas acabou como a chefe da diplomacia do primeiro mandato do líder. Agora, a democrata sonha em fazer história como a primeira mulher eleita para o comando da Casa Branca.

Tanto Hillary como Trump são muito impopulares, com taxas de aprovação reduzidas: 44% para a democrata e 38% para o republicano, de acordo com a média das pesquisas divulgadas pelo site RealClearPolitics.

Depois de uma das campanhas mais polêmicas e repletas de ataques de baixo nível da história, muitos eleitores estão mais motivados por sua rejeição a um candidato do que pela simpatia ao outro.

Mark Baker, de 57 anos, é um exemplo. Eleitor de Hillary, ele afirma que seu estímulo este ano é “a natureza da eleição e, francamente, o senhor Trump”. Mas o surpreendente anúncio na sexta-feira da reabertura da investigação do FBI com relação ao uso de um servidor privado de e-mails quando a democrata ainda era secretária de Estado injetou uma dose de incerteza na disputa.

As pesquisas mostram uma batalha apertada entre os candidatos e uma sondagem ABC/The Washington Post divulgada esta semana apontou Trump à frente de Hillary pela primeira vez desde maio. A sondagem também revelou que o entusiasmo entre os seguidores da democrata caiu de 51% a 43%, enquanto o nível permaneceu em 53% para o republicano.

Michael McDonald, da Universidade da Flórida e que monitora o voto antecipado, considera pouco provável uma mudança entre os eleitores. “As pessoas consumiram uma enorme quantidade de informação sobre os candidatos. Já tomaram uma decisão e estão saindo para votar”, disse.

Até o momento, na votação antecipada, há sinais de entusiasmo entre os latinos, as mulheres e os brancos liberais.

“Os sinais de preocupação para a campanha (de Hillary) estão sendo reduzidos a níveis de votos antecipados entre os negros e os jovens, que são peças essenciais entre aqueles que elegeram e reelegeram Obama”, destaca Barry Burden, professor de Ciências Políticas na Universidade de Wisconsin-Madison.

Magnata. Trump enfrenta obstáculos ainda maiores. Nos Estados de Nevada, Virginia e Colorado, a democrata está na frente nos votos antecipados, de acordo com McDonald. “Isto é quase como um xeque-mate, porque Trump teria de vencer em praticamente todo o resto dos Estados disputados”, afirma.

Além disso, os latinos apoiam com ampla vantagem Hillary Clinton. De acordo com alguns cálculos, 27,3 milhões deles podem votar nesta eleição, 4 milhões a mais do que na votação presidencial anterior, segundo o Pew Research Center.

Além disso, o empresário precisa defender sua posição em Estados republicanos. O Texas, por exemplo, vive um grande entusiasmo com o voto antecipado. Mais de 25% de todos os possíveis eleitores já depositaram suas cédulas nas urnas a cinco dias da eleição.

A forte votação antecipada no Texas é ainda mais intrigante ante as novas pesquisas, o que desperta especulações sobre se o Estado – tradicionalmente republicano – poderia dar a vitória à democrata.

A disputa está levando os dois lados a votarem de maneira antecipada, confirmou Brandon Rottinghaus, professor de Ciências Políticas na Universidade de Houston, que considera pouco provável que Hillary vença no Texas. Mas ele afirma que ela deve perder por uma pequena margem. “Isto seria um êxito para os democratas”, destaca, já que poderia ajudá-los em futuras eleições. / AFP

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