Melania Trump critica falas do marido, mas pede que população o perdoe

Apesar da pressão de seu partido, Trump, que publicou um vídeo para pedir perdão nesta madrugada, garantiu hoje que não existe qualquer chance de ele se retirar da disputa

Redação Internacional

08 de outubro de 2016 | 19h07

WASHINGTON – Melania Trump, mulher do candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, tachou neste sábado, 8, de “inaceitáveis e ofensivas” as declarações de seu marido sobre as mulheres feitas em um vídeo de 2005 e divulgadas ontem, mas pediu para que as pessoas aceitem o pedido de desculpas dele.

“As palavras que o meu marido usou são inaceitáveis e ofensivas para mim. Isso não representa o homem que eu conheço. Ele tem o coração e a mente de um líder. Espero que as pessoas aceitem suas desculpas, como fiz eu, e se concentrem nos assuntos importantes que a nossa nação e o mundo enfrentam”, afirmou, em comunicado, a ex-modelo de origem eslovena e terceira mulher de Trump.

Candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump (Foto: AP Photo/Patrick Semansky, File)

Candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump (Foto: AP Photo/Patrick Semansky, File)

A nota foi divulgada depois da enorme polêmica gerada por um vídeo de 2005 (ano em que o magnata se casou com ela) divulgado pelo jornal The Washington Post, no qual Trump faz comentários machistas e vulgares sobre as mulheres em uma conversa com o apresentador Billy Bush.

Na gravação, Trump descreve uma tentativa de fazer sexo com uma mulher casada. Também se gabou de mulheres que permitiram que ele as beijassem por ser famoso. “Quando você é uma estrela, elas permitem que você o faça. Você pode fazer qualquer coisa”, afirmou o empresário na época, dizendo também que elas o deixavam agarrá-las pelo órgão sexual.

Essas declarações geraram rejeição de seus próprios colegas políticos e alguns chegaram a pedir que ele abandonasse a corrida presidencial.

“Não posso continuar apoiando conscientemente essa pessoa para a presidência”, disse o congressista republicano Jaseon Chaffetz, de Utah, à rede Fox.

“Estou doente pelo que ouvi hoje”, expressou em um comunicado o chefe da bancada republicana no Congresso, Paul Ryan. “As mulheres devem ser defendidas e reverenciadas, e não tratadas como objetos. Espero que Trump encare esta situação com a seriedade que ela merece e trabalhe para demonstrar ao país que ele tem o maior respeito pelas mulheres”, acrescentou.

Os congressistas Barbara Comstock e Mike Coffman e o ex-governador de Utah Jon Huntsman pediram que o magnata deixe a disputa. O senador por Utah Mike Lee fez o mesmo: “Respeitosamente, lhe peço que se afaste”.

Já o senador de Illinois Mark Kirk disse no Twitter que Trump deve “abandonar” a disputa eleitoral e o Partido Republicano precisa “empregar regras para uma substituição de emergência”.

Mike Pence, companheiro de chapa de Donald Trump, disse neste sábado estar ofendido com as declarações do candidato. “Não concordo com estas declarações e não posso defendê-las”, disse Pence em um comunicado, acrescentando que Trump terá a oportunidade de “mostrar o que está em seu coração” no domingo durante o segundo debate presidencial contra a democrata Hillary Clinton.

Apesar da pressão de seu partido, Trump, que publicou um vídeo para pedir perdão nesta madrugada, garantiu hoje que não existe qualquer chance de ele se retirar da disputa.

“Há zero possibilidade de renunciar”, disse Trump, em entrevista ao Wall Street Journal, na qual nega que sua campanha esteja “em crise” e assegura que o apoio que está tendo é “incrível”. / REUTERS, EFE e AFP