Melania Trump é acusada de plágiar discurso de Michelle Obama

Melania Trump é acusada de plágiar discurso de Michelle Obama

Trechos da fala da mulher do magnata são praticamente idênticos ao que disse a atual primeira-dama, antes da 1º eleição de Obama; Melania afirmou em entrevista que escreveu o texto 'com o mínimo de ajuda possível'

Redação Internacional

19 de julho de 2016 | 09h30

CLEVELAND, EUA – O discurso da aspirante a primeira-dama dos Estados Unidos Melania Trump na Convenção Nacional Republicana, na noite de segunda-feira, 19, conteve um trecho notavelmente semelhante ao pronunciamento feito na convenção democrata de 2008 pela mulher que ela espera suceder.

Um funcionário da campanha de Trump indicou que a semelhança com o discurso feito pela primeira-dama Michelle Obama pode ter ocorrido devido a um erro da equipe de redatores (veja abaixo um vídeo, em inglês, comparando os dois discursos).

“Meus pais gravaram em mim os valores de que você trabalha duro pelo que quer na vida; de que sua palavra é sua fiadora e você faz o que diz e mantém suas promessas; de que você deve tratar as pessoas com respeito”, disse Melania, esposa do provável candidato presidencial republicano, Donald Trump, à plateia na cidade de Cleveland.

“Eles me ensinaram a exibir os valores e a moral em minha vida cotidiana. Essa é a lição que continuo a passar para nosso filho. E precisamos passar essas lições para as muitas gerações que virão, porque queremos que nossos filhos nesta nação saibam que o único limite para suas conquistas é a força de seus sonhos e sua disposição para trabalhar por eles”, acrescentou.

Este pequeno trecho da fala de aproximadamente 15 minutos de Melania Trump, um destaque do dia de abertura da convenção republicana, é em parte similar ao que Michelle Obama fez em 2008 em apoio a seu marido, o então candidato democrata e atual presidente dos EUA, Barack Obama.

“E Barack e eu fomos criados com muitos dos mesmos valores: que você trabalha duro pelo que quer na vida; que sua palavra é sua fiadora e que você faz o que diz que fará; que você deve tratar as pessoas com dignidade e respeito”, disse Michelle em seu discurso.

“… E Barack Obama e eu resolvemos construir nossas vidas guiados por estes valores, e passá-los adiante para as próximas gerações”, acrescentou. “Porque queremos que nossos filhos, e todos os filhos desta nação, saibam que o único limite para a altura de suas conquistas é o alcance de seus sonhos e sua disposição para trabalhar por eles”.

Antes do discurso de segunda-feira, Melania, uma ex-modelo e designer de joias nascida na Eslovênia, disse ao jornalista Matt Lauer, da rede de televisão NBC: “Eu o escrevi, com o mínimo de ajuda possível”.

Em outro momento do discurso, a esposa de Trump elogiou as virtudes de seu pai: “Sua integridade, compaixão e inteligência se refletem hoje em mim e em meu amor pela minha família e por este país”.

Oito anos atrás, Michelle Obama tinha dito que a “integridade, compaixão e inteligência” de sua mãe se refletiam em suas duas filhas.

Uma vez terminado o discurso e enquanto as primeiras acusações de plágio floresciam pelas redes sociais, Donald Trump publicou esta mensagem em sua conta no Twitter: “Foi uma honra apresentar a minha esposa, Melania. Seu discurso e seu porte foram incríveis. Muito orgulhoso”.

Ao mesmo tempo, a maioria dos veículos de comunicação americanos começava a difundir algumas das “surpreendentes similitudes” entre os dois discursos enquanto outros mais ousados, como a “CNN”, já acusavam a esposa de Trump diretamente de “plágio”.

“Pelo menos um dos parágrafos do discurso de Melania Trump é uma cópia do de Michelle Obama na Convenção Nacional Democrata de 2008. A comparação das transcrições mostra que o discurso de Trump segue, quase palavra por palavra, ao da primeira-dama”, ressaltou a emissora.

Diante do início de um escândalo, a campanha de Trump divulgou um comunicado onde garantiu que o discurso de Melania combinava “suas inspirações” com “sua própria opinião”, embora tenha evitado se referir diretamente à questão do plágio. / REUTERS, EFE e AFP

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