Michelle e Obama usam capital político para convencer eleitores

Michelle e Obama usam capital político para convencer eleitores

Casal usa mesmo argumento e alega que voto em terceiro partido significa vantagem para Donald Trump

Redação Internacional

02 de outubro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
Correspondente / Washington

WASHINGTON – Com popularidade nas alturas e talento para se conectar com multidões, a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, entrou na campanha de Hillary Clinton determinada a convencer os jovens a irem às urnas e a votarem na candidata do Partido Democrata.
Falando a estudantes em universidades, ela ataca o republicano Donald Trump sem mencionar o seu nome e desencoraja os que pensam em votar em representantes de terceiros partidos.

“Se você votar em alguém que não seja Hillary ou se você não votar, você estará ajudando a eleger o oponente dela”, disse Michelle, na quarta-feira, na Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, um Estado-chave da disputa entre Hillary e Trump.

A primeira-dama americana, Michelle Obama. Foto: Zach Gibson/The New York Times

A primeira-dama americana, Michelle Obama. Foto: Zach Gibson/The New York Times

A primeira-dama lembrou que as eleições são decididas não apenas por quem vota, mas também pelos que decidem não comparecer às urnas. “E isso é especialmente verdadeiro para pessoas jovens como vocês. Na verdade, em 2012, os eleitores com menos de 30 anos deram a margem de vitória para Barack em quatro campos de batalha estaduais: Flórida, Ohio, Virgínia e Pensilvânia.”

Michelle fez sua estreia solo na campanha eleitoral no dia 16, em uma universidade de Virgínia. Na próxima semana, ela estará em duas cidades da Carolina do Norte, um dos Estados-pêndulos (ou swing states, como são conhecidos nos Estados Unidos) que alternam entre os partidos Democrata e Republicano e são a chave para definir a eleição.

Em julho, Michelle fez o discurso mais eletrizante da Convenção Nacional Democrata que oficializou a candidatura de Hillary. Sem mencionar o nome de Trump em nenhum momento, ela disse que a eleição definiria a escolha da pessoa que será o modelo para as crianças americanas pelos próximos quatro ou oito anos.

“A presidência não muda quem você é. Ela revela quem você é. E a mesma coisa vale para uma campanha presidencial”, disse Michelle, na quarta-feira. “Se um candidato de maneira regular e impertinente faz comentários cruéis e insultantes sobre mulheres, sobre nossa aparência e atitude, bem, infelizmente, isso é o que o candidato realmente é. Esse é o tipo de presidente que ele será.”

A campanha pela participação dos jovens nas eleições e contra o voto em candidatos de terceiros partidos também está sendo feita por Obama e pelo ex-adversário de Hillary nas primárias democratas, o senador Bernie Sanders.

“Se você não votar, esse é um voto para Trump”, disse Obama em entrevista a uma emissora de rádio na quarta-feira. “Se você votar pelo candidato de um terceiro partido que não tem chance de ganhar, esse é um voto para Trump.” Em evento de campanha há duas semanas, Sanders afirmou que essa não é uma eleição para um voto de protesto.

Os democratas lançam mão da história recente para tentar mostrar aos jovens os supostos riscos associados à escolha de candidatos de terceiros partidos sem chances de vencer a disputa. No ano 2000, o representante do Partido Verde, Ralph Nader, obteve 1,62% dos votos na Flórida, o Estado que garantiu a vitória do republicano George W. Bush sobre o democrata Al Gore. Bush teve 48,85% dos votos na Flórida, 0,01 ponto porcentual a mais que os 48,84% de Gore.