Michelle torna-se maior cabo eleitoral de Hillary

Michelle torna-se maior cabo eleitoral de Hillary

Primeira-dama fez campanha para democrata na Carolina do Norte; WikiLeaks divulga e-mail relatando que família Clinton obteve favores e milhões de dólares de doadores de sua fundação

Redação Internacional

27 de outubro de 2016 | 20h34

Cláudia Trevisan
Correspondente / Washington

No seu primeiro evento de campanha ao lado da democrata Hillary Clinton, a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, disse nesta quinta-feira que as declarações do candidato republicano Donald Trump de que as eleições presidenciais de novembro poderão ser fraudadas são uma estratégia para desestimular as pessoas a votarem.

“Quando você ouvir gente falando sobre uma conspiração global e dizendo que essa eleição é manipulada, entenda que eles estão tentando fazer com que você fique em casa”, disse Michelle, que se tornou a mais poderosa cabo eleitoral de Hillary. A campanha da candidata democrata sofreu um golpe nesta quinta-feira com a divulgação de um e-mail, pelo site WikiLeaks, que relata o recebimento de favores e de milhões de dólares por sua família de doadores da Fundação Clinton.

Michelle Obama faz campanha para Hillary Clinton

Michelle Obama faz campanha para Hillary Clinton

Como o voto não é obrigatório nos EUA, o grau de participação de diferentes grupos demográficos é crucial para a definição do resultado da disputa. De maneira geral, o Partido Democrata se beneficia quando há um aumento na participação, porque grande parte de seus seguidores pertence a minorias que tradicionalmente votam em menor proporção que os brancos.

Os brancos formam o principal pilar da candidatura de Trump e costumam ter participação superior à de outros grupos demográficos. A exceção foi 2012, quando a proporção de eleitores negros que votaram atingiu 66,2% – 2 pontos porcentuais acima do registrado entre brancos. Entre hispânicos e asiáticos, os índices foram de 48% e 47%, respectivamente. Ambos os grupos tendem a votar no Partido Democrata, que construiu uma máquina de mobilização para estimulá-los a votar.

“Eles estão tentando convencê-lo de que o seu voto não vale, que o resultado já está definido e você não deve se importar em ter sua voz ouvida”, afirmou Michelle. “Neste país, nos Estados Unidos da América, os eleitores decidem as eleições, eles decidem quem ganha e quem perde. Ponto, fim da história.”

A primeira-dama também se esforçou para humanizar a candidata e ressaltar sua origem em uma típica família de classe média. “Hillary tem um vida fundada no serviço público e no sacrifício, que a preparou para ter o trabalho mais difícil do mundo”, disse Michelle.

Mas a tentativa de apresentar a democrata como alguém com quem os eleitores possam se identificar esbarrou na divulgação de um e-mail que detalha o recebimento de milhões de dólares pelo ex-presidente Bill Clinton pela realização de palestras a doadores da Fundação Clinton.

O documento foi escrito em 2011 pelo ex-assessor de Clinton Douglas Band com o objetivo de defender a atuação de sua empresa, Teneo, como representante da fundação e de interesses do ex-presidente. “Desde 2001, os acordos comerciais do presidente Clinton renderam a ele pessoalmente mais de US$ 30 milhões, com US$ 66 milhões a serem pagos ao longo dos próximos nove anos se ele decidir manter os acordos em vigor”, escreveu.

Outras mensagens divulgadas pelo WikiLeaks revelaram preocupação entre assessores de Hillary com potenciais conflitos de interesse causados por doações de países estrangeiros à fundação. Poucos meses antes de lançar sua candidatura, a democrata pretendia participar de um evento no Marrocos em troca de uma doação de US$ 12 milhões à instituição.

“Ela criou essa confusão e ela sabe disso”, escreveu Huma Abedin, uma das principais assessoras de Hillary, em e-mail enviado em janeiro de 2015. No fim, a candidata decidiu não ir ao Marrocos, mas Clinton e a filha do casal, Chelsea, viajaram ao país para o evento.

Trump usou os e-mails para reforçar sua acusação de que a adversária é corrupta. “Imaginem o que eles farão se tiverem de novo a chance de controlar o Salão Oval”, declarou em comício em Ohio, fazendo referência ao escritório do presidente dos EUA na Casa Branca. “Eu acho que nós já tivemos mais que o suficiente dos Clintons”, afirmou o magnata.

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