Mike Pence, um vice com ar de protagonista

Mike Pence, um vice com ar de protagonista

Republicano, que tem perfil conservador e bom trânsito político, é visto como contraponto a Trump

Redação Internacional

20 Janeiro 2017 | 05h00

 

WASHINGTON – Quando Donald Trump fizer o juramento presidencial sobre a Bíblia hoje, transformará Mike Pence de um ex-governador polêmico do Estado de Indiana ao vice-presidente mais observado da história recente dos EUA.

FILE PHOTO - U.S. Vice President-elect Mike Pence speaks to reporters as he exits Trump Tower in New York, U.S. on January 6, 2017. REUTERS/Mike Segar/File Photo

O vice de Trump, Mike Pence. Foto: Mike Segar/Reuters

Conservador, cristão fervoroso e defensor do movimento Tea Party, o primeiro nome na linha de sucessão do magnata republicano é visto por opositores e analistas como o homem que realmente conduzirá os assuntos burocráticos do governo – e estará sob os holofotes, especialmente, pelas especulações de que Trump não conseguirá terminar o mandato.

A atuação de Pence como governador e suas declarações sobre assuntos cruciais dão pistas de quem é o homem que se sentará à frente de Trump nas reuniões de gabinete.

Religião. Pence já era bastante conhecido e respeitado nos círculos republicanos quando foi eleito governador de Indiana, em 2012. Ele ganhou projeção nacional ao aprovar um projeto de lei sobre liberdade religiosa em 2015. A medida, segundo ele, buscava a ampliar as proteções legais aos comerciantes que não quisessem vender serviços a casais de pessoas do mesmo sexo, alegando que isso contrariava suas crenças religiosas.

Depois de ser criticado por democratas, ativistas LGBT, empresários e até pela NBA, Pence assinou uma emenda afirmando que seria ilegal utilizar a norma para discriminar gays, mas isso não bastou para abrandar críticas de ativistas, nem para aumentar os índices de aprovação de Pence.

Pence é um cristão evangélico devoto que fala regularmente sobre sua fé. No ano passado, Pence transformou em lei uma das disposições legais mais rigorosas do país sobre o aborto. Indiana é agora o segundo Estado americano que proíbe os abortos quando os fetos são portadores de deficiência, uma lei que ainda deverá ser contestada nos tribunais.

Base. O vice-presidente eleito foi um dos defensores de primeira hora do movimento Tea Party. Um dos ex-assessores de Pence disse à NBC que, ainda em 2010, Pence já apoiava essa corrente populista do Partido Republicano. Enquanto esteve no Congresso, defendeu a redução dos gastos públicos, em sintonia com uma das bandeiras do movimento republicano.

Primárias. Antes de se tornar candidato a vice na chapa de Trump, Pence apoiou Ted Cruz nas prévias do partido, mas sem muita convicção. Quando seu Estado poderia determinar quem seria o vencedor das primárias presidenciais, Pence foi criticado por manter um silêncio inusitado. Quatro dias antes da votação, afinal, ele disse que votaria em Ted Cruz. Mas fez uma jogada política para o caso de Trump vencer, afirmando: “Não sou contra ninguém.” Trump venceu em Indiana por uma vantagem de quase 20 pontos. Cruz desistiu naquela noite, e Pence declarou que apoiaria a indicação do magnata.

Legislativo. Antes de se tornar governador, Pence atuou por seis mandatos no Congresso, onde tinha bom trânsito e era respeitado pelos colegas. Com o tempo, amenizou sua posição populista, aparou as arestas do Tea Party e chegou aos postos mais altos do partido.

Pence manteve seus vínculos no Capitólio depois de deixá-lo. Esta semana, o presidente da Câmara, Paul Ryan, disse que Pence é um “amigo pessoal”.

Origens. Pence foi filiado ao Partido Democrata na juventude. Seu ídolo era o presidente John F. Kennedy. Em 2010, o vice-presidente eleito disse à CBS News em uma entrevista: “Talvez seja porque cresci numa grande família irlandesa católica como ele (Kennedy). É possível que meus avós tivessem orgulho do primeiro presidente irlandês católico dos EUA”. Pence ainda conserva uma caixa com uma coleção de lembranças de Kennedy. / THE WASHINGTON POST

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