Mulheres veem vitória democrata como trunfo

Mulheres veem vitória democrata como trunfo

Muitas americanas acham que já chegou a hora de os EUA terem uma presidente

Redação Internacional

07 de novembro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

A eventual vitória de Hillary Clinton nas eleições presidenciais de amanhã terá especial significado para Stephanie Weber, Lisa Abbin, Karen Wirth, Karen Thomas e milhões de outras mulheres ao redor dos EUA, para as quais é passada a hora de o mais poderoso país do mundo ser comandado por uma representante do sexo feminino.

Históricas eleitoras do Partido Democrata, as quatro acreditam que o rompimento desse telhado de vidro ganhou mais urgência na atual disputa, marcada por uma sucessão de comentários depreciativos do republicano Donald Trump em relação às mulheres. O mais chocante deles apareceu em 7 de outubro, na véspera do segundo debate presidencial. Naquele dia, o Washington Post divulgou um vídeo de 2005 no qual o candidato se gabava de poder fazer o que quiser com as mulheres por ser famoso, inclusive agarrá-las pelos órgãos genitais sem consentimento.

Lisa Abbin (esq.) e Stephanie Weber (dir.) celebram a candidatura de Hillary Clinton à presidência dos EUA (Foto: Cláudia Trevisan/ESTADÃO)

Lisa Abbin (esq.) e Stephanie Weber (dir.) celebram a candidatura de Hillary Clinton à presidência dos EUA (Foto: Cláudia Trevisan/ESTADÃO)

Mas Stephanie, Lisa, Karen Wirth e Karen Thomas dizem que não estão apenas votando contra Trump. Elas querem Hillary, a quem veem como uma das pessoas mais preparadas para disputar a Casa Branca na história dos EUA. “Não é que eu queira qualquer mulher. Eu quero essa mulher, que ao longo de sua vida mostrou ser capaz de enfrentar qualquer desafio. Eu quero que minha filha saiba que pode ser o que quiser”, afirmou Lisa, mãe de uma adolescente de 14 anos.

As quatro veem as dificuldades de suas experiências pessoais refletidas na trajetória de Hillary. Para elas, a candidata é julgada com critérios mais rigorosos que os aplicados ao adversário e punida por demonstrar ambição. “Se Hillary tivesse cinco filhos de três homens distintos, ela seria chamada de p…”, afirmou Karen Wirth, em uma referência aos três casamentos de Trump. “Pesquisas mostram que quando ela busca se eleger, o que é percebido como ambição, sua popularidade diminui. Quando ela está exercendo algum cargo, ela aumenta”, comentou Stephanie.

Na opinião de ambas, a disputa entre Hillary e Trump se deu em um terreno desigual, no qual a tolerância a tropeções do republicano era muito maior que a demonstrada em relação à democrata. “Ela não podia errar e nós enfrentamos isso em nossas carreiras. Não é isso que quero para minha filha”, disse Stephanie, que também é mãe de uma adolescente de 14 anos.

Mas Hillary está longe de ser uma unanimidade, mesmo entre democratas. Durante as primárias, muitas das mulheres mais jovens do partido optaram pelo senador Bernie Sanders, atraídas por sua retórica crítica ao sistema político e à influência do dinheiro em Washington e nas eleições americanas. Além disso, o histórico de traições de Bill Clinton e a decisão de Hillary de ficar a seu lado apesar de sucessivas humilhações públicas não era algo atraente para novas gerações.

Stephanie estava entre as eleitoras do partido que nutriam mais simpatia por Sanders do que por Hillary. Mas aos poucos ela passou a admirar o pragmatismo e as posições mais moderadas da candidata. “Ela faz as coisas acontecerem.”

A preocupação em evitar deslizes e a obsessão pela preparação tira grande parte da espontaneidade de Hillary, criticada durante a campanha por seu estilo calculado e ensaiado. Mas o esforço deu a ela vantagem nos três debates com Trump, nos quais foi considerada vitoriosa, segundo pesquisas da CNN. No primeiro deles, o republicano a atacou por deixar de fazer campanha nos dias que antecederam o evento. “Eu acho que Donald acabou de me criticar por me preparar para esse debate”, disse Hillary. “E, sim, eu me preparei. E sabe para que mais eu me preparei? Para ser presidente.”

Mãe de um filho com necessidades especiais, Karen Thomas também se sentiu atingida pelo episódio no qual Trump imitou um repórter deficiente durante um comício. “Foi dolorido ver aquilo”, disse.

As ofensas de Trump às mulheres deverão levar a uma disparidade histórica entre gêneros nesta eleição. Pesquisas indicam que Hillary tem uma vantagem de 15 a 20 pontos entre as mulheres em relação ao adversário, que lidera entre os homens com uma margem menor.

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