Nível educacional divide eleitores de Hillary e Trump

Nível educacional divide eleitores de Hillary e Trump

Bilionário pode ser o primeiro candidato republicano a perder o voto de eleitores brancos com ensino superior nos últimos 60 anos

Redação Internacional

25 de setembro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
Correspondente / Washington

O nível de educação deve ser um dos fatores cruciais na eleição de novembro nos EUA e a distância tão grande entre as preferências dos eleitores com e sem ensino superior nunca foi tão grande. Donald Trump pode ser o primeiro republicano, em 60 anos, a perder a disputa entre brancos que cursaram uma universidade, mas deve conquistar uma fatia maior que seus antecessores entre os brancos de baixa escolaridade.

Em eleições recentes, o nível educacional não tinha um peso relevante. Eleitores com ou sem ensino superior costumavam acompanhar a tendência do eleitorado em geral. A entrada de Trump na disputa, porém, mudou o cenário. Sua retórica anti-imigrante e anti-islâmica afastou grande parte dos que fizeram ao menos faculdade.

Hillary conversa com partidários em Orlando

Hillary conversa com partidários em Orlando

Pesquisa do Pew Research Center (PRC), em agosto, dava a Hillary uma vantagem de 23 pontos porcentuais em relação a Trump nesse grupo: ela tinha 52% das intenções de voto. Trump, 29%. O restante era dividido entre o libertário Gary Johnson e a candidata do Partido Verde, Jill Stein.

Em 2012, o democrata Barack Obama venceu o republicano Mitt Romney entre eleitores com educação superior com uma vantagem de dois pontos porcentuais: 50% a 48%. Entre os que estudaram até o segundo grau, o resultado foi de 51% a 47% “Se a distância se mantiver, será a maior divisão educacional de qualquer eleição das últimas décadas”, diz a análise do PRC. Segundo o instituto, a distância é particularmente acentuada entre eleitores brancos.

Na última eleição, Romney obteve 56% dos votos dos brancos com educação superior, enquanto Obama recebeu 42%. A distância foi maior entre os brancos de baixa escolaridade: 62% a 36%. O comportamento dos dois grupos tende a ser maior agor, quando a maioria dos mais educados tende a votar em Hillary.

Parte desse movimento é provocado pela rejeição a posições de Trump. “Os republicanos, em geral, têm uma posição mais dura em relação à imigração, mas Trump parece ser um nativista e adota um tom muito extremista para eleitores brancos com educação superior”, disse ao Estado Kyle Kondik, da Universidade de Virgínia.

“Nativismo” é a palavra da moda da eleição americana e descreve posição política que defende direitos de habitantes estabelecidos de um país em relação a imigrantes. Rejeitada pelos mais educados, a visão xenófoba tem apelo entre os brancos de menor escolaridade.
Seis em 10 eleitores brancos sem educação superior são a favor da suspensão temporária da entrada de muçulmanos no país, que foi defendida por Trump. Entre os brancos com ensino superior, a situação é inversa: 60% rejeitam a medida. A deportação de clandestinos é defendida pela maioria dos brancos sem educação superior e rechaçada pela maioria dos que foram à universidade.

Para vencer, Trump precisa ir além de sua base de apoio e atrair votos de moderados e independentes. Ele perdeu terreno nas pesquisas em julho. No entanto, em meados de agosto, ele mudou o comando de sua campanha e ficou mais disciplinado, Suas declarações bombásticas deram lugar a discursos lidos em teleprompters.

Trump também tentou se aproximar dos eleitores negros, movimento que foi interpretado mais como uma tentativa de seduzir eleitores brancos preocupados com a imagem de racismo associada ao magnata.

Para Kondik, os limites dessa estratégica ficaram claros há duas semanas, quando o republicano reacendeu a polêmica sobre o local de nascimento de Obama. Em 2011, Trump liderou uma campanha que questionava a cidadania do presidente, no que foi interpretado como uma tentativa de tirar a legitimidade do primeiro presidente negro dos EUA. Há nove dias, Trump admitiu o óbvio e afirmou que Obama nasceu no país, menos de 48 horas depois de ter se recusado a fazer o mesmo em entrevista ao Washington Post. “Sua campanha está tentando contê-lo, mas não sei se está funcionando”, disse Kondik.

 

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