Nomeação histórica de Hillary como candidata à presidência dos EUA anima convenção democrata

Imagem dos 43 homens que comandaram o país se estilhaçando para dar lugar ao rosto da ex-secretária de Estado marca significado do momento

Redação Internacional

27 Julho 2016 | 07h36

Cláudia Trevisan

ENVIADA ESPECIAL, FILADÉLFIA / ESTADOS UNIDOS

O pronome “ela” foi colocado em um novo patamar na política dos EUA com a nomeação de Hillary Clinton como candidata à presidência pelo Partido Democrata. O significado histórico da decisão foi traduzido no vídeo mostrado na noite da terça-feira 26 aos delegados reunidos na convenção a legenda na Filadélfia: a imagem dos 43 homens que comandaram o país agora é estilhaçada para dar lugar ao rosto de Hillary.

“Eu não acredito que nós acabamos de abrir a maior rachadura nesse teto de vidro”, disse a ex-secretária ao vivo de Nova York, cercada de mulheres. “Se há pequenas garotas que ficaram acordadas até à noite para nos assistir, deixe eu dizer que posso ser a primeira mulher presidente, mas uma de vocês será a próxima”, declarou a candidata, no fim do dia que marcou sua vitória na disputa pela candidatura democrata.

Os que estavam na plateia seguravam milhares de placas distribuídas pela campanha de Hillary com a palavra que sintetizava a escolha de terça-feira: “História”. Usando um vestido com estampa inspirada na bandeira americana, a atriz Meryl Streep usou seu talento dramático para celebrar a nomeação de Hillary. Antes de começar a falar, a vencedora de três Oscars deu um grito tribal, acompanhado do movimento de celebração com seus braços.

“O que é necessário para ser a primeira mulher em qualquer coisa?”, perguntou a atriz. “É preciso coragem, é preciso graça.” Sob aplausos e gritos da plateia, Meryl elencou uma série de figuras femininas que romperam esse limiar e fizeram história, entre as quais Madeleine Albright, a primeira mulher a comandar o Departamento de Estado americano, cargo que seria ocupado por Hillary mais tarde. Meryl subiu ao palco pouco depois de a própria Albright defender a eleição de Hillary em novembro.

Na plateia, Melissa Byrne era uma das centenas de mulheres que deram seu voto a Hillary na disputa pela candidatura democrata. “Esse é o momento mais histórico de toda a minha vida. Vou guardar para sempre a memória do que eu vivi”, disse ao Estado a delegada de 32 anos de Illinois. “Participar da indicação da primeira candidata mulher a presidente é algo incrível.”

O sentimento não era exclusividade das mulheres. Larry Coffey, delegado de Nevada, disse que estava eufórico com a vitória de Hillary. “Eu nunca acreditei que veria esse momento”, disse Coffey. “Pequenas garotas saberão agora que podem fazer o que desejarem.”

A cantora Alicia Keys fechou o programa da noite com a canção “Superwoman” (Supermulher), seguida de “In Common” (Em Comum). Keys defendeu a união dos democratas e fez um apelo aos seguidores do senador Bernie Sanders, derrotado pela ex-secretária de Estado: “Não desperdicem o seu voto, votem em Hillary Clinton”.

Até a noite de terça-feira, o troféu de melhor discurso da convenção continuava a ser de uma mulher: a primeira-dama Michelle Obama, que no dia anterior atacou o republicano Donald Trump sem mencionar seu nome.

Nesta quarta-feira, 27, ela terá concorrência de seu marido, Barack Obama, que será o principal orador do penúltimo dia da convenção democrata.