O grande problema católico de Donald Trump

Candidato está mais de 20 pontos atrás de Hillary em segmento que pode ser decisivo na eleição americana

Redação Internacional

30 Agosto 2016 | 05h00

Aaron Blake
WASHINGTON POST

Muito tem se falado dos problemas do candidato republicano à presidência americana, Donald Trump, com o eleitorado feminino, negro, hispânico e jovem. Mas, em perspectiva, seu maior problema é um grupo diferente: os católicos. Trump, que teve uma rixa com o Papa Francisco meses atrás, está se afundando nessa parcela da população americana.

Em 2012, o candidato republicano Mitt Romney foi derrotado por Barack Obama nesse segmento por apenas dois pontos porcentuais: 50% a 48%. Nas últimas dez eleições, os republicanos venceram o eleitorado católico em cinco delas, a última delas em 2004.

Trump, no entanto, está atrás nesse segmento por uma margem muito grande. Um levantamento do Public Religion Research Institute indica que a vantagem de 23 pontos para a democrata Hillary Clinton: 55% a 32%. De todos os grupos demográficos, os católicos são os que apresentam a maior diferença, na comparação entre os resultados de 2012 e a intenção de voto de 2016, ao lado das mulheres brancas com educação superior.

Os resultados de Trump em grupos como latinos, jovens e negros, por outro lado, é similar em comparação com os resultados históricos de outros candidatos republicanos. Em outras palavras, são grupos nos quais os republicanos não esperam ir bem. Os católicos, por outro lado, que perfazem cerca de um quarto do eleitorado, costumam ser decisivos em eleições e dessa vez estão inclinados a votar nos democratas. Os católicos tem um peso similar, em termos de comparecimento às urnas que eleitores não brancos e independentes, apesar de esses três grupos terem intersecções entre si.

As razões para a dificuldade de Trump entre os católicos ainda estão abertas a interpretações. Talvez o criticismo do papa em relação a Trump e a resposta agressiva do candidato tenha influenciado os eleitores. “Uma pessoa que apenas pensa em construir muros em vez de pontes não é cristã”, disse o papa em fevereiro sobre a proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México.

Para o articulista do Religion News Services John Gehring, as políticas imigratórias de Trump também têm um peso na visão dos católicos sobre eles. “Parte do DNA dos católicos tem o apreço por irlandeses e outros que enfrentaram a cultura protestante e anglo-saxã americana”, disse. “Quando Trump pede um teste religioso para muçulmanos, lembra o nativismo que os Católicos enfrentaram no século 19.”

Mais conteúdo sobre:

Donald TrumpCatólicos