Obama adverte contra emergência de ‘nacionalismo bruto’ nos EUA

Obama adverte contra emergência de ‘nacionalismo bruto’ nos EUA

Presidente americano diz que insegurança sobre identidade nacional levou ao surgimento de movimentos populistas de direita e esquerda, impulsionou a candidatura de Trump e levou à aprovação do Brexit

Redação Internacional

15 de novembro de 2016 | 20h21

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

O presidente Barack Obama disse ontem que os EUA terão de estar alertas contra a emergência de um “nacionalismo bruto” durante a gestão de seu sucessor, Donald Trump. Segundo ele, o republicano explorou um aspecto “perturbador” dos temores da globalização, que podem evoluir para uma “combinação volátil” se incluírem divisões étnicas ou religiosas.

“As pessoas estão menos seguras de suas identidades nacionais e de seu lugar no mundo. Começa a parecer diferente e desorientador. E não há dúvida de que isso produziu movimentos populistas tanto de direita quanto de esquerda”, afirmou Obama em entrevista coletiva na Grécia, no início de seu último grande giro internacional antes de deixar a Casa Branca.

President Barack Obama and Greek President Prokopis Pavlopoulos toast during a State Dinner at the Presidential Mansion, Tuesday, Nov. 15, 2016. (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

Obama e o presidente da Grécia, Prokopis Pavlopoulos, durante jantar no palácio presidencial em Atenas

Na avaliação do presidente, sentimentos semelhantes impulsionaram tanto a saída do Reino Unido da União Europeia quanto as candidaturas de Trump e do democrata Bernie Sanders nos EUA. “Uma suspeição em relação à globalização, um desejo de conter seus excessos, uma suspeição sobre as elites e as instituições de governo, que as pessoas sentem que não estão respondendo às suas necessidades imediatas”, afirmou. “Às vezes isso é envolvido em questões de identidade étnica, ou identidade religiosa ou identidade cultural e isso pode ser uma combinação volátil.”

Desde o lançamento de sua candidatura, Trump colocou o ataque a imigrantes no centro de sua campanha, com propostas de deportar 11 milhões de pessoas que vivem de maneira irregular no país e construir um muro na fronteira com o México.

O presidente eleito também defendeu a proibição temporária da entrada de muçulmanos nos EUA e a vigilância de atividades religiosas em mesquitas.
Nos sete dias desde sua vitória, pelo menos 310 episódios de ataques a negros, imigrantes, muçulmanos e gays foram registrados nos EUA, segundo a entidade Southern Poverty Law Center, que monitora a ação de grupos de ódio no país. A eleição de Trump foi celebrada por supremacistas brancos.

Em discurso no Senado ontem, o líder democrata Harry Reid disse que “crimes de ódio” estão sendo cometidos no país em nome do presidente eleito. “Muitos de nossos concidadãos americanos acreditam que a eleição de Trump valida o tipo de comportamento intimidador e agressivo que Trump exibe diariamente”, declarou.

Segundo Reid, a indicação de Stephen Bannon como conselheiro do presidente eleito envia sinal negativo para minorias. Bannon dirigiu durante anos um site de extrema direita identificado com ideias de supremacia branca.

Reid afirmou que os democratas estão dispostos a colaborar com o novo governo em questões de interesse comum, como o aumento de investimentos em infraestrutura. O democrata ressaltou que Obama tentou aprovar medidas similares.

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